TRADUTOR

English French German Spain Italian Dutch Russian Portuguese Japanese Korean Arabic Chinese Simplified

domingo, 8 de março de 2015

BOBAGENS LINGUÍSTICAS-27

Continuando a ler o TCC de Carlos Almeida de Jesus, no 
curso de Letras da Faculdade Anchieta (SP), em 2008: 
"Etimologia – Especulação e mau uso", colhemos informações 
muito interessantes, uma vez que, o que circula de 'verdade' 
falsa na internet não é brincadeira. 

No item 1.3.2, "Etimologistas de todo tipo", do qual extraímos 
o trecho sobre o provérbio "Quem não tem cão caça com gato" 
(Bobagens... 23), Carlos fala sobre mais cinco expressões que 
foram - ou são passíveis de ser - deturpadas por 'etimologistas' 
falsos. Os dois primeiros termos não se faz necessário o meu 
comentário, pois Carlos é muito detalhado na explicação. 

BATIZAR

"Tomando-se o vocábulo batismo como exemplo, algum 
purista da língua dirá que o termo só poderá ser empregado 
quando se tratar de mergulho nas águas de um rio, visto que 
a Etimologia mostra a ligação de um termo ao outro: 
do grego – baptizein e do latim – baptizare, alusivo à imersão 
completa que se fazia em sacramento aos convertidos da 
Igreja Primitiva. 

Excetuando-se a questão religiosa da obrigatoriedade de ser 
o batismo uma imersão – sabe-se que há divergência entre 
denominações religiosas quanto à aplicação e ao 
procedimento desse ritual eclesiástico – o termo, no português, 
ganhou também a acepção de iniciação, o que permite por 
exemplo falar-se em “batismo de fogo de um combatente”, 
e a acepção de atribuir um nome, por isso é usado sem 
estranhamento “batizei meu cãozinho de Totó”. 

Além disso, a língua portuguesa, com ironia, passou a utilizar 
o verbo batizar para denominar a prática desonesta de 
adulterar líquidos, adicionando a eles quantidades favoráveis 
de água, daí aceitarem-se as locuções: uísque batizado, 
gasolina batizada, leite batizado etc. Como foi visto, por 
extensão de significado, não apareceu, em todas as 
acepções que o vocábulo batismo adquiriu, a noção de 
imersão – tão inerente ao sentido original." 

HISTERIA

"Esses indoutos são capazes de dizer que só as mulheres 
poderiam ser histéricas e que seria coisa de outro mundo 
falar em “homem histérico”. A base, de novo para tal, é 
etimológica: histeria, derivação de hyster = útero (do Grego), 
portanto, anatomicamente relacionada às pessoas do sexo 
feminino; uma doença nervosa que, supostamente, se 
originava no útero, caracterizada por convulsões. 

Todavia, o termo desvinculou-se da esfera biológica e 
passou a designar um comportamento caracterizado por 
excessiva emotividade ou por um terror pânico que se 
exprime por manifestações de ordem corporal. Sendo 
assim, tratou-se de atribuir o termo também ao homem em 
estado sintomático semelhante, mesmo que tendo causas 
muito diferentes das da mulher." 

ENFEZADO

"Os falsos etimologistas em suas engenhocas textuais, 
registram que enfezar significa “estar cheio de fezes”, 
ignoram o fato de que o termo vem do Latim infensare 
– opor-se a alguma coisa com vigor, hostilizar." 

Eu fico enfezado - no sentido original - com essas pessoas que 
divulgam inverdades desse tipo. Acho que elas, na verdade, 
estão 'enfezadas' no sentido que atribuem ao termo. 

VAIA

"...o famoso “Quem tem boca vai a Roma” seria “vaia Roma” 
(desaprova Roma, desaprova qualquer sistema imperialista), 
ignorando o dito dos franceses “Qui langue a, à Rome vá” 
ou dos italianos “Chi lingua ha, a Roma va”;" 

O que temos de vaiar são esses impostores que deturpam 
nosso conhecimento. 

NAS COXAS

"...e ainda, que a famigerada expressão “nas coxas” viria do 
hábito de moldar as telhas de barro nas coxas dos escravos, 
o que as deixavam com forma irregular, quando, na verdade, 
essa expressão sempre indicou, desde a Grécia antiga, um 
tipo de coito alternativo no qual não existia penetração, assim 
“fazer nas coxas” logo foi empregado com o sentido de fazer 
algo apressadamente, deixando mal feito ou incompleto o 
que poderia ser melhor." 

Esta expressão não deve ser muito anterior à Grécia antiga, 
pois, antes disso, os costumes não eram muito atrelados às 
convenções sociais. Não tinha essa conversa de "Mãe não 
quer, pai não deixa...". Era ação nua (ou não) e crua! 

Veremos as "Considerações Finais" desse trabalho num 
próximo post. Até lá! 

Abraço do tesco. 

5 comentários:

Denise disse...

No aguardo das considerações finais. Muita paz!

Clara Lucia disse...

Tesco é cultura! O que seria de nós sem essas informações? Adoro!
Enfezar... eu não sabia...
E nas coxas eu sabia, mas não desse jeito... Aliás, eu não sabia, só sabia que era uma coisa mal feita, mas nada ligada ao sexo.
Boa semana!

ॐ Shirley ॐ disse...

Eu só desconhecia a expressão que mandava "vaiar" Roma.
Tantas palavras tem n significados...
Valeu, amiko.
Kiso!

Anônimo disse...


Tesco, Adorei a "vaia" romana! Essa eu nunca tinha visto.
hiscla

Denise disse...

Hoje vim agradecer suas palavras elogiosas. E dizer que amo seu comentários, sempre tão sensatos. Muita paz!