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quarta-feira, 18 de julho de 2018

BACTÉRIA MEU ANIMAL FAVORITO


Esta matéria mudou meu conceito sobre bactérias.
Talvez mude o se
u também.
Tente! 


BACTÉRIA MEU ANIMAL FAVORITO

Quero explicar a vocês o porque da minha 
admiração pela bactéria. Talvez o seu conceito 
sobre bactéria mude depois disso. 

Bactéria é o maior reciclador de lixo do mundo. 
Pense bem nisso: ao transformar toda matéria orgânica 
morta em solo, a bactéria recicla todo esse lixo 
transformando-o na fonte original de todos os elementos. 

A bactéria é muito especial. 
Ela é minúscula e imensa ao mesmo tempo. 
Menor do que qualquer célula viva, a bactéria pode 
instantaneamente aumentar o seu poder, 
se multiplicando em trilhões. 
A bactéria é a mais brilhante invenção de Deus 
e um presente para todos nós! 

Estamos constantemente tentando destruir 
o maior número possível de bactérias porque 
não entendemos o seu propósito aqui na Terra. 
Vamos imaginar o mundo sem bactéria. 
Haveria rocha mas não haveria solo 
para plantar o nosso alimento. 
Todos os animais mortos, pássaros, insetos, cobras, 
corpos humanos ou matéria orgânica estariam 
empilhados formando enormes montanhas. 
Que bagunça não seria! 

No processo natural de desintegração, 
a bactéria não causa nenhum mau cheiro. 
Difícil de acreditar? 
Na floresta ninguém cata as folhas do chão, 
ninguém enterra os animais mortos, 
tudo é deixado no mesmo lugar. 
Os excrementos dos animais ficam onde são deixados. 
Você poderia até pensar que uma floresta deve cheirar
muito 
mal.

Então me responda: 
A última vez que você foi a uma floresta, sentiu mau cheiro? 
Aposto que a sua resposta foi “não”. 
Na verdade, quando estamos numa floresta, 
respiramos fundo e dizemos, “ah, que cheiro gostoso”. 

Se a bactéria agindo no habitat natural da floresta 
não causa mau cheiro, por que então associamos 
o processo de desintegração com o mau cheiro? 
Por que no mundo civilizado, a bactéria causa mau cheiro? 
É porque a bactéria tem dificuldade em reciclar 
aquilo que nós criamos. 

Para comprovar esta afirmação, você pode fazer 
sua própria experiência. 
Coloque algumas frutas ou vegetais frescos numa vasilha. 
Você vai notar que eles vão se desintegrar 
sem nenhum mau cheiro. 
Agora, coloque numa vasilha comida cozida como 
macarronada, sopa de frango, ou purê de batatas. 
Depois de alguns dias você vai sentir um mau cheiro 
insuportável que é causado pela bactéria tentando 
agir sobre o alimento cozido. 

Um outro fato interessante é que a bactéria 
nunca toca aquilo que está vivo. 
Árvores gigantescas que atingem de 100 a 2000 anos, 
permanecem livres de bactéria. 
Suas raízes estão sempre presas ao solo, 
e mesmo assim a bactéria não as atinge. 
Assim que a árvore morre entretanto, 
a bactéria age fazendo com que ela se transforme em solo. 
A bactéria reconhece o que e é vivo e o que é morto, 
e só se interessa pela matéria morta. 

Olhando para a natureza como exemplo, vemos que 
o limo e outros parasitas não vivem em árvores saudáveis. 
Em hortas orgânicas, se o solo é balanceado, 
as lesmas não aparecem. 
Os parasitas não penetram em tomates saudáveis. 
Da mesma forma, os parasitas não proliferam 
nas polpas das frutas saudáveis. 

Nós, humanos, estamos longe de termos nosso corpo 
balanceado, por não termos uma alimentação adequada. 
A bactéria pode causar doença no corpo humano? 
Sim e não. 
Sim, se o corpo é cheio de toxinas. 
Não, se o corpo está limpo por dentro. 
Quanto mais matéria tóxica acumulamos no nosso corpo, 
mais bactéria atraimos. 

Por isso é que as pessoas que comem alimentos cozidos 
contraem infecções tão facilmente. 
Se você teme doenças infecciosas, 
o melhor a fazer é manter seu corpo limpo por dentro. 
Comer alimentos crus é a única forma de conseguir isso. 
O mesmo se aplica aos parasitas. 
Se conservamos nosso corpo limpo, saudável e puro, 
o parasita não vai morar lá e nem mesmo os mosquitos 
irão nos picar. 

Certa vez, eu e minha familia fizemos uma caminhada 
em Minesota, o estado do mosquito. 
Na floresta Boundary Wasters, os guardas florestais 
têm que usar mosqueteiros. 
Nós não tínhamos mosqueteiros 
e não levamos sequer uma picada. 
Durante as cinco noites que passamos lá, 
não usamos nem mesmo barracas para dormir. 

Todos os parasitas abandonam o corpo humano 
quando ele fica limpo. 
Aqui está um outro exemplo para ilustrar esse ponto. 
Logo depois que começamos a dieta, lemos um livro sobre 
os parasitas que os seres humanos carregam no corpo. 
Tivemos tanto medo, que decidimos fazer uma limpeza. 
Tomamos aqueles tradicionais remédios para verme 
durante dez dias e comprovamos por exames, 
que eles desapareceram. 
Cerca de dois meses depois, fizemos um outro exame 
e constatamos que os parasitas estavam de volta. 

O remédio manteve nosso corpo limpo 
por apenas dois meses. 
Um ano e meio mais tarde, mantendo a dieta crudívora 
a 100%, repetimos o teste. 
Nosso sangue estava totalmente limpo. 
Não havia mais parasitas! 
Nosso sangue consistia apenas de células brancas 
e células vermelhas. 
Era tudo. Não havia bactéria. Estávamos limpos. 

Quando olhamos o sangue de uma pessoa que come 
alimentos cozidos, podemos ver normalmente 
uma porção de bactérias flutuando entre as células. 

Certa vez, convidei um especialista para fazer uma 
demonstração de análise das células do sangue, 
na minha aula. 
Ele retirou amostras de sangue de três voluntários. 
Um deles era um jovem de 19 anos. Seu sangue estava 
tão cheio de bactérias que ele ficou envergonhado! 

Ele disse, “Mas eu tomo banho todos os dias”. 
Respondi: “ As bactérias e parasitas do sangue, 
não têm nada a ver com o número de banhos que você toma. 
Fale para nós como é o seu estilo de vida”. 
Ele disse , “Ah, eu estou melhorando”. 
Nós dissemos, “Apenas relaxe e diga o que você come. 
Quais são os seus hábitos? 
Como você tem vivido os 19 anos da sua vida?” 

Ele disse, “eu tenho tomado drogas, cerveja, 
fui diagnosticado como portador do virus da AIDS, 
como comidas que não são saudáveis, pizza 
é o meu prato favorito, e nunca como saladas.” 

Podíamos ver isso no seu sangue. 
Não importa o quanto lavamos nosso corpo por fora, 
por dentro podemos estar bastante infectados. 
A bactéria descobre logo onde as toxinas se encontram. 
Ela só quer realizar o seu trabalho. Sem causar nenhuma 
dor, ela penetra nas células do corpo e se multiplica. 
Ela só quer ajudar o nosso corpo a se livrar das toxinas. 

O que sabemos com certeza absoluta, é que as pessoas que 
só comem alimentos crus não têm parasitas nem bactérias. 
Pessoas que foram examinadas e que os médicos 
confirmaram como portadoras de parasitas, foram capazes 
de combatê-los comendo 100% de alimentos crus. 
Os médicos ficam surpresos porque normalmente 
é muito difícil tratar os parasitas. 
Eles existem nas mais variadas formas , em diferentes 
estágios, e se você elimina um estágio, 
um outro começa a se desenvolver. 

Quando comemos alimentos crus, 
nosso corpo fica livre de toxinas. 
Não há nada para os parasitas comerem, 
então eles vão embora. 
==============
Victoria Boutenko 
(“12 Passos para o Crudivorismo”, capítulo 4) 

domingo, 8 de julho de 2018

O REI SÁBIO


Era uma vez, na longínqua cidade de Wirani, um rei 
que governava os seus súditos com poder e sabedoria. 
O povo o temia por seu poder e o amava por sua sabedoria. 

No coração daquela cidade, 
havia um poço de água fresca e cristalina. 
Dela bebiam todos os seus habitantes e até mesmo o rei 
e os seus cortesãos, pois era o único da localidade. 

Certa noite, quando todos dormiam, uma bruxa entrou 
na cidade e derramou sete gotas de um misterioso 
líquido no poço, dizendo: 
— A partir de agora, quem beber desta água ficará louco. 

Na manhã seguinte, todos os habitantes do reino, 
salvo o rei e o seu lorde camareiro, beberam do poço 
e enlouqueceram, tal como a bruxa havia predito. 

E, naquele dia, nas ruas estreitas e nas praças do mercado, 
as pessoas não paravam de sussurrar entre si: 
— O rei está louco! Nosso rei 
e o lorde camareiro perderam a razão. 

Certamente, não podemos ser governados por um rei louco. 
Devemos destroná-lo. 

Naquela noite, o rei mandou que enchessem 
uma grande taça com a água do poço. 
E quando a trouxeram, bebeu da água abundantemente 
e entregou a copa ao lorde camareiro, 
para que do líquido também bebesse. 

E houve um grande regozijo na longínqua cidade de Wirani, 
porque o seu rei e o lorde camareiro 
haviam recobrado a razão. 
================
Khalil Gibran
“Contos breves” 

quarta-feira, 4 de julho de 2018

SE SOUBESSES...


Se soubesses quão venenoso é
o conteúdo de fel a tisnar o cálice da aversão,
decerto compreenderias
que todo golpe de crueldade
não é senão desafio
à tua capacidade de entendimento.

Se soubesses a trama de sombra
que freme, perturbadora,
em torno da palavra infeliz que proferes,
na crítica à luta alheia,
preferirias amargar no silêncio
as feridas de tua mágoa,
esperando que o tempo lhes ofereça
a necessária edicação.

Se soubesses a quantidade dos crimes,
oriundos da revolta e da queixa,
escolherias padecer toda sorte de sofrimento
antes que reclamar consideração
e justiça em teu próprio favor.

Se soubesses a multidão de males
que a vingança provoca,
esquecerias sem custo os braseiros de dor
que a calúnia te arremessa à existência.

Lembra-te de que o ódio é
o grande fornecedor das prisões
e de que a cólera é responsável pela maior parte
das moléstias que infelicitam a vida
e guarda o coração na grande serenidade,
se te propões conservar em ti mesmo
o tesouro da paz e a bênção da segurança.

Ainda mesmo que alguém te ameace
com o gláudio da morte,
desculpa e segue adiante,
porque as vítimas ajustadas aos marcos
do Bem Eterno elevam-se de nível,
enquanto que os ofensores,
ainda mesmo os aparentemente mais dignos,
descem aos princípios do tempo
para o acerto reparador.

De qualquer modo, se a aflição te procura,
cala e perdoa sempre,
porque se o Mestre nos exortou
ao amor pelos inimigos,
também nos advertiu que
a mão erguida à delinquência da espada,
agora, hoje ou amanhã, na espada fenecerá.
============
Emmanuel
(“Alma e Luz”, psicografia Chico Xavier)

quarta-feira, 20 de junho de 2018

O ANJO CINZENTO


Para que o Homem adquirisse confiança em Sua Bondade 
Infinita, determinou o Senhor que vários Anjos o 
amparassem na Terra, amorosamente... 

Em razão disso, quando mal saía do berço, aproximou-se 
dele um Anjo Lirial que, aproveitando os lábios daquela 
que se lhe constituíra em mãezinha adorável, lhe ensinou 
a repetir: 

- Deus... Pai do Céu... Papai do Céu... 

Era o Anjo da Pureza. 

Mais tarde, soletrando o alfabeto, entre as paredes da  
escola, acercou-se dele um Anjo de Luz Verde que, por 
intermédio da professora, o ajudou a pronunciar em voz 
firme: 

- Deus, Nosso Pai Celestial, é o Criador de todos os seres 
e de todas as coisas... 

Era o Anjo da Esperança. 

Alongaram-se-lhe os dias, até que penetrou uma casa de 
ensino superior, sob cujo teto venerável foi visitado por um 
Anjo de Luz de Ouro que, através de educadores eméritos, 
lhe falou acerca da glória e da magnificência do Eterno, 
utilizando a linguagem da filosofia e da ciência. 

Era o Anjo da Sabedoria. 

O Homem compulsou livros e consultou autoridades, 
desejando a comunhão mais direta com o Senhor e 
fazendo-se caprichoso e exigente. 

Olvidando o direito dos semelhantes, propunha-se 
conquistar as atenções de Deus tão somente para si. 

A Majestade Divina, a seu parecer, devia inclinar-se aos 
petitórios, atendendo-lhe as desarrazoadas solicitações, 
sem mais nem menos; e, porque o Criador não se revelasse 
disposto a personalizar-se para satisfazê-lo, começou a 
cultivar o espinheiro da negação e da dúvida. 

Por mais insistisse o Anjo Dourado, rogando-lhe reverenciar 
o Senhor, acatando-lhe as leis e os desígnios, mais se 
mergulhava na hesitação e na indiferença. 

Atormentado, procurou um templo religioso, onde um 
Anjo Azul o socorreu, valendo-se de um sacerdote para 
recomendar-lhe a prática do trabalho e da humildade, com 
a retidão da consciência e com a perseverança no bem. 

Era o Anjo da Fé. 

O Homem registrou-lhe os avisos, mas, sentindo enorme 
dificuldade para render-se aos exercícios da virtude, 
clamava intimamente: 

- “Deus? Mas existirá Deus realmente? Por que razão 
não me oferece provas indiscutíveis do seu poder?” 

Freqüentando o templo para não ferir as convenções 
sociais, foi auxiliado por um Anjo Róseo que lhe conduziu 
a inteligência à leitura de livros santos, comovendo-lhe o 
coração e conduzindo-lhe o sentimento à prática do amor 
e da renúncia, da benevolência e do sacrifício, de 
maneira a abreviar o caminho para o Divino Encontro. 

Era o Anjo da Caridade. 

O teimoso estudante aprendeu que não lhe seria lícito 
aguardar as alegrias do Céu, sem havê-las merecido 
pela própria sublimação na Terra. 

Ainda assim, monologava indisciplinado: 
- “Se sou filho de deus e se Deus existe, não justifico 
tanta formalidade para encontrá-lo...” 

E prosseguia surdo aos orientadores angélicos. 

Casou-se, constituiu família, amealhou dinheiro 
e garantiu-se contra as vicissitudes da sorte; 
entretanto, por mais se esforçassem os Anjos da Caridade 
e da Sabedoria, da Esperança e da Fé, no sentido de 
favorecer-lhe a comunhão com o Céu, mais repudiava os 
generosos conselheiros, exclamando de si para consigo: 

- “Deus? Mas existirá efetivamente Deus?” 

Enrugando-se-lhe o rosto e encanecendo-se-lhe a cabeça 
orgulhosa, reuniram-se os gênios amigos, suplicando a 
compaixão do Senhor, a benefício do rebelde tutelado. 

Foi quando desceu da Glória Celeste um Anjo Cinzento, 
de semblante triste e discreto. 

Não tomou instrumentos para comunicar-se. 

Ele próprio abeirou-se do revoltado filho do Altíssimo,  
abraçou-o e assoprou-lhe ao coração a mensagem que 
trazia... 

Sentindo-lhe a presença, o Homem cambaleou, deitou-se e 
começou a reconhecer a precariedade dos bens do mundo...  

Notou quão transitória era a posse dos patrimônios 
terrestres, dos quais não passava de usufrutuário egoísta... 

Observou que a sua felicidade passageira era simples 
sombra a esvair-se no tempo... 

E, assinalando sofrimento e desequilíbrio no âmago de si 
mesmo, compreendeu que tudo que desfrutava na vida 
era empréstimo divino da Eterna Bondade... 

Meditou... Meditou... reconsiderando as atitudes que lhe 
eram peculiares e, em lágrimas de sincera e profunda 
compulsão, qual se fora tenro menino, dirigiu-se pela 
primeira vez, com toda a alma, ao Todo Poderoso, 
suplicando: 

- Deus de Infinita Misericórdia, meu Criador e meu Pai, 
compadece-te de mim!... 

O Anjo Cinzento era o Anjo da Enfermidade. 
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Irmão X (espírito Humberto de Campos) 
(“Contos desta e doutra vida”, psicografia Chico Xavier) 

terça-feira, 5 de junho de 2018

A AMBIÇÃO


Um rato vivia debaixo de um celeiro em cujo chão 
havia um furinho por onde caía o trigo grão a grão. 
Era o suficiente para ele viver tranquilamente 
sem passar fome. 

Mas o rato quis fazer ostentação do seu bem-estar. 
Roeu a madeira do assoalho e alargou o furinho 
até deixá-lo da largura de um dedo polegar. 

Depois, foi visitar uns ratos conhecidos e mesmo
desconhecidos e disse-lhes, dando importância: 

— Por que vocês não vêm visitar-me? 
Tenho uma despensaabundantíssima, 
onde há trigo para todos. 

Aceitando o convite, muitos ratos foram visitá-lo 
e o dono da casa, quando ia levar as visitas para comer, 
notou que já não havia o buraco de passagem e, 
portanto, não havia trigo. 
O que havia ocorrido? 

Apenas o seguinte: o furinho do assoalho passava 
despercebido, mas o buraco feito pelo rato foi logo visto 
pelo dono do celeiro, que imediatamente o tapou.
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 (Lev Tolstói, “Contos e fábulas”) 

domingo, 3 de junho de 2018

RESPOSTINHAS BESTINHAS (Perguntinhas também)


200
P. Qual é o trava-língua da cutia?

R. "Cutia sem cu é tia, 
      cutia sem tia é cu, 
      tirando o cu da cutia, 
      a tia fica sem cu!" 

Aprendi em 1972, no Exército. 
Só tem lógica com a palava, 
mas é engraçado! 

sábado, 21 de abril de 2018

O CONFERENCISTA ATRIBULADO


Naquela manhã ensolarada de domingo, Gustavo Torres, 
em seu gabinete de estudo, alinhava preciosos conceitos 
sobre a arte de ajudar. 

Espiritualista consciencioso, acreditava que a luta na Terra 
era abençoada escola de formação do caráter e, por isso, 
atendendo às exigências do próprio ideal, enfileirava, 
tranqüilo, frases primorosas para o comentário evangélico 
que pretendia movimentar na noite seguinte. 
Depois de renovadora prece, começou a escrever, 
sentidamente: 


– O próximo, de qualquer procedência, é nosso irmão, 
   credor de nosso melhor carinho. 

– O caluniador é um teste de paciência. 

– Quando somos vitimados pela ofensa, estamos
   recebendo 
de Jesus o bendito ensejo de auxiliar.

– Desesperação é chuva de veneno invisível. 

– A desculpa constante é garantia de paz.  

– Não olvides que a irritação, em qualquer parte, 
   é fermento da discórdia. 

– Suporta a dificuldade com valor, porque a provação 
   é recurso demonstrativo de nossa fé. 

– Se um irmão transviado te prejudica o interesse, 
   recebe nele a tua valiosa oportunidade de perdoar. 

– Se alguém aparece, como instrumento de aflição 
   em tua casa, não fujas ao exercício da tolerância. 

– A calma tonifica o espírito... 

Nesse momento, a velha criada veio trazer o chocolate, sobre 
o qual, sem que ela percebesse, pousara pequena mosca, 
encontrando a morte. 

Torres anotou o corpo estranho e, repentinamente indignado, 
bradou para a servidora: 
– Como se atreve a semelhante desconsideração? 
Acredita que eu deva engolir um mosquito deste tamanho? 

Impressionada com o golpe que o patrão vibrara na bandeja, 
a pobre mulher implorou: 
– Desculpe-me, senhor! A enfermidade ensombra-me os 
olhos... 

– Se é assim – falou áspero –, fique sabendo que não preciso 
de empregados inúteis... 

O conferencista da arte de ajudar ainda não dera o incidente 
por terminado, quando o recinto foi invadido pelo estrondo 
de um desmoronamento. 

O condutor de um caminhão, num lance infeliz, arrojara 
a máquina sobre um dos muros da sua residência. 

O dono da casa desceu para a via pública, como se fora 
atingido por um raio. 
Abeirou-se do motorista mal trajado,e gritou, colérico: 
– Criminoso! Que fizeste? 

– Senhor – rogou o mísero –, perdoe-me o desastre. 
Pagarei as despesas da reconstrução. 
Tenho a cabeça tonta com a moléstia de meu filhinho, 
que agoniza, há muitos dias... 

– Desgraçado! O problema é seu, mas o meu caso será 
entregue à polícia. 

E quando Torres, possesso, usa o telefone, discando para 
o delegado de plantão, meninos curiosos invadiam-lhe o 
jardim bem tratado, esmagando a plantação de cravos que 
lhe exigira imenso trabalho na véspera. 

Exasperado, avançou para as crianças, ameaçando: 
– Vagabundos! Larápios! Rua, rua!... Fora daqui!... Fora daqui! 

Dai a instantes, policiais atenciosos cercavam-lhe o domicílio 
e Torres regressou ao gabinete, qual se estivesse acordando 
de um pesadelo... 

Da mesa, destacava-se minúsculo cartaz, em que releu 
o formoso dístico aí grafado por ele mesmo: 
– “Quando Jesus domina o coração, a vida está em paz.” 

Atribulado, sentou-se. 
Deteve-se novamente, na frase preciosa que escrevera, 
reconheceu quão fácil é ensinar com as palavras e quão difícil 
é instruir com os exemplos e, envergonhado, passou a refletir...
================
Irmão X (espírito Humberto de Campos) 
("Contos e apólogos", psicografia Chico Xavier)