A vida profissional numa grande empresa de petróleo não
é como assentar tijolos na construção de um muro, tudo
arrumadinho, em perfeita simetria, e é só adicionar o cimento.
Não. Assemelha-se mais a situação de grãos de areia na beira
da praia: Tá tudo muito bem, mas vem uma onda e rearruma
tudo. Aí, acomodam-se os grãozinhos, arranjando seu espaço,
quando... Vem nova onda!
Principalmente para quem ambiciona subir na hierarquia,
apresentam-se cursos, estágios, empréstimos de pessoal,
transferências, mestrados... Movimentação não falta.
Assim, uma colega, chamemo-la de Rita (e era mesmo Rita),
foi transferida no início de 2003. Mas nos enviou um e-mail
e eu guardei o e-mail. Revendo-o agora nos meus arquivos,
percebo que era uma mensagem de confiança e embasada
na realidade. Transcrevo-a para verificarmos a exatidão de
sua filosofia:
"Nós não podemos limitar nossa experiência ao que
planejamos.
Quando o sol se levanta trazendo calor sobre a terra, ele
não vem para matar as plantas, mas para ajudá-las a crescer.
No entanto, se o solo no qual a planta germinou for cheio
de pedras, se sua raiz for superficial e ela não estiver
adequadamente irrigada, então o calor que deveria ajudá-la
no crescimento servirá para matá-la.
Apenas precisamos entender que por mais impossível que
pareça, todas as coisas estão contribuindo para o nosso bem."
Rita.
* * *
Está aí: Ponderações bastante sensatas. Orientações que não
devemos desprezar. São três eixos básicos para uma boa
atitude perante a vida.
Primeiro, não nos restringirmos ao planejado. Precisamos
desenvolver boa maleabilidade, ou seja, jogo de cintura, para
que possamos contornar os obstáculos que, inevitavelmente,
surgirão em nossas pretensões.
Segundo, qual planta que procura se desenvolver, a despeito
do terreno em que foi colocada, temos que aprofundar as
raízes, não necessariamente nos acomodando num mesmo
local, mas procurando levar o mesmo ambiente de amizade,
fraternidade e solidariedade para onde quer que formos.
E, por último, nos resignarmos quando as condições pareçam
mais desfavoráveis aos nossos planos. Não é conveniente dar
murros em ponta de faca, bem melhor tentar torcer os fatos
contrários, pondo-os a nosso favor. E quando isso não for
possível de modo algum, simplesmente mudar de planos.
Como disse Ramakrishna:
"Os ventos da graça de Deus estão sempre soprando,
cabe a nós ajustarmos as velas".
Simples assim.
Abraço do tesco.
domingo, 31 de maio de 2015
SORTESCO 347
NOITE NA TAVERNA / MACÁRIO
de ÁLVARES DE AZEVEDO
"Noite na taverna" se compõe de uma
série de histórias fantásticas e trágicas,
impregnadas de vícios e crimes. Cinco
jovens, já não tão jovens, reunidos numa
sombria taverna, narram e discutem seus
passados casos amorosos. A vida para
eles se apresenta vazia e falsa e o amor
termina sempre em tragédia.
"Macário" é um drama em dois atos, que
conta a história de um jovem que
conversa com satã numa estalagem de
estrada, no primeiro ato, e no segundo, debate sobre amor
e morte com seu amigo Penseroso.
Tem 170 páginas e capa dura, mas a lombada, perdida,
foi substituída por mim, num arranjo feio, mas que
assegura estabilidade para algumas leituras mais.
INSCREVA -SE ASSIM:
Escolha apenas UMA dezena, AINDA DISPONÍVEL,
entre 00 e 99, e indique sua escolha nos comentários.
Sua opção será válida ATÉ às 17 horas do dia do sorteio.
O sorteio (item 2 do Regulamento) será em 06/06/2015.
de ÁLVARES DE AZEVEDO

série de histórias fantásticas e trágicas,
impregnadas de vícios e crimes. Cinco
jovens, já não tão jovens, reunidos numa
sombria taverna, narram e discutem seus
passados casos amorosos. A vida para
eles se apresenta vazia e falsa e o amor
termina sempre em tragédia.
"Macário" é um drama em dois atos, que
conta a história de um jovem que
conversa com satã numa estalagem de
estrada, no primeiro ato, e no segundo, debate sobre amor
e morte com seu amigo Penseroso.
Tem 170 páginas e capa dura, mas a lombada, perdida,
foi substituída por mim, num arranjo feio, mas que
assegura estabilidade para algumas leituras mais.
INSCREVA -SE ASSIM:
Escolha apenas UMA dezena, AINDA DISPONÍVEL,
entre 00 e 99, e indique sua escolha nos comentários.
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sábado, 30 de maio de 2015
quinta-feira, 28 de maio de 2015
CONTRACANTO: EXPLÍCITOS
Um casal segue num carro - pode ser numa tarde ensolarada
de domingo - talvez sejam amigos de infância, talvez tenham
se conhecido há pouco, a timidez, no entanto, tolhe-os na sua
mais íntima expressão.
Querem se entregar um ao outro, desesperadamente, "como
se não existisse amanhã", mas a educação recebida dificulta
o entendimento verbal, e "não querem espantar o pássaro"!
Parece filme dos anos 50? Hoje, quando as pessoas fazem
misérias e só depois se perguntam os nomes? Pode ser.
Mas ainda rola esse clima em muitos lugares e com muitas
pessoas. O mundo não é só cinismo.
Essa é a visão que aparece no sábado passado, na postagem
da Shirley. É uma 'fantasia', como já diz o título do poema,
mas tem aquele sabor romântico que muitos (eu, pelo menos)
apreciam.
Nesse mundo do romantismo, a balinha ainda tem invólucro,
as frutas têm casca, o licor ainda reside no cerne do bombom,
não é a realidade hodierna em que se faz questão de exibir
as cirurgias plásticas ao primeiro contato.
Nesse mundo ideal, as pessoas ainda têm tempo de conhecer
a fundo o pensamento do outro, de trocar opiniões, de juntar
os sentimentos antes de juntar os corpos, em suma, de afinar
o instrumento antes da apresentação da orquestra.
Claro que não faltam ocasiões de espontaneidade, e a paixão
tem seus momentos. O rompante, o imprevisto e o improviso
têm sua vez.
Veja o que vislumbra a imaginação da nossa poeta:
FANTASIA EXPLÍCITA
Shirley
(2015.05.23)
Você dirige o carro devagar
e timidamente
procura a palavra certa
para afugentar o silêncio.
Também eu
perplexa e desajeitada
busco em vão
uma sequência rápida de ideias
tentando afogar no âmago
expectativa perturbadora.
Cada vez mais
percebo-me vazia
flutuando no abismo
de contemplação existencial.
De repente
precipitada
imprevisível
quase num enlevo
digo o que não posso
e no semblante
mostro o que não devo...
* * *
Agora o lado pragmático, não da sociedade, mas da poesia.
Tem muita rima e muita métrica por aí, encobrindo... Prosa!
Diria que é o caso aqui. Um certo tesco, muito amarrado em
formas tradicionais, não conseguindo transmitir poesia, vai,
muito disfarçadamente, camuflando seu prosaico comentário
em poesia.
O comentário à poesia da Shirley é uma prosa, bem objetiva,
sob forma de quadrinhas chinfrins, embora bem medidas e
rimadas, de modo a parecer poesia!
O tesco engana a muita gente, só não engana ao próprio tesco.
Pode observar:
MILAGRE EXPLÍCITO
tesco
(2015.05.27)
Dirijo devagar sim
Procuro a palavra certa
Pra dizer que estou a fim
Da emoção que liberta
Eu não sei como falar
Como dizer o que sinto
Tenho muito a comentar
Mas me desdigo/desminto
É uma coisa assumida
Não consigo esquecer:
"Meu cumpadi, se decida
Ou senão vai me perder!"
Percebo-a perturbada
Nos queremos namorar
Bem-te-vis na madrugada
Ansiosos pra piar
Tá na beira do vazio
Querendo cair em si
Meu pensamento sombrio:
"Se cair, caia em mim!"
Aí milagre ocorreu:
Que ventura nós vivemos!
Qual santo que socorreu?
Ela diz o que queremos!
* * *
De qualquer maneira, a obrigação é comentar, e não, fazer
poesia. Se ela aparece às vezes, é bônus!
Abraço do tesco.
de domingo - talvez sejam amigos de infância, talvez tenham
se conhecido há pouco, a timidez, no entanto, tolhe-os na sua
mais íntima expressão.
Querem se entregar um ao outro, desesperadamente, "como
se não existisse amanhã", mas a educação recebida dificulta
o entendimento verbal, e "não querem espantar o pássaro"!
Parece filme dos anos 50? Hoje, quando as pessoas fazem
misérias e só depois se perguntam os nomes? Pode ser.
Mas ainda rola esse clima em muitos lugares e com muitas
pessoas. O mundo não é só cinismo.
Essa é a visão que aparece no sábado passado, na postagem
da Shirley. É uma 'fantasia', como já diz o título do poema,
mas tem aquele sabor romântico que muitos (eu, pelo menos)
apreciam.
Nesse mundo do romantismo, a balinha ainda tem invólucro,
as frutas têm casca, o licor ainda reside no cerne do bombom,
não é a realidade hodierna em que se faz questão de exibir
as cirurgias plásticas ao primeiro contato.
Nesse mundo ideal, as pessoas ainda têm tempo de conhecer
a fundo o pensamento do outro, de trocar opiniões, de juntar
os sentimentos antes de juntar os corpos, em suma, de afinar
o instrumento antes da apresentação da orquestra.
Claro que não faltam ocasiões de espontaneidade, e a paixão
tem seus momentos. O rompante, o imprevisto e o improviso
têm sua vez.
Veja o que vislumbra a imaginação da nossa poeta:
FANTASIA EXPLÍCITA
Shirley
(2015.05.23)
Você dirige o carro devagar
e timidamente
procura a palavra certa
para afugentar o silêncio.
Também eu
perplexa e desajeitada
busco em vão
uma sequência rápida de ideias
tentando afogar no âmago
expectativa perturbadora.
Cada vez mais
percebo-me vazia
flutuando no abismo
de contemplação existencial.
De repente
precipitada
imprevisível
quase num enlevo
digo o que não posso
e no semblante
mostro o que não devo...
* * *
Agora o lado pragmático, não da sociedade, mas da poesia.
Tem muita rima e muita métrica por aí, encobrindo... Prosa!
Diria que é o caso aqui. Um certo tesco, muito amarrado em
formas tradicionais, não conseguindo transmitir poesia, vai,
muito disfarçadamente, camuflando seu prosaico comentário
em poesia.
O comentário à poesia da Shirley é uma prosa, bem objetiva,
sob forma de quadrinhas chinfrins, embora bem medidas e
rimadas, de modo a parecer poesia!
O tesco engana a muita gente, só não engana ao próprio tesco.
Pode observar:
MILAGRE EXPLÍCITO
tesco
(2015.05.27)
Dirijo devagar sim
Procuro a palavra certa
Pra dizer que estou a fim
Da emoção que liberta
Eu não sei como falar
Como dizer o que sinto
Tenho muito a comentar
Mas me desdigo/desminto
É uma coisa assumida
Não consigo esquecer:
"Meu cumpadi, se decida
Ou senão vai me perder!"
Percebo-a perturbada
Nos queremos namorar
Bem-te-vis na madrugada
Ansiosos pra piar
Tá na beira do vazio
Querendo cair em si
Meu pensamento sombrio:
"Se cair, caia em mim!"
Aí milagre ocorreu:
Que ventura nós vivemos!
Qual santo que socorreu?
Ela diz o que queremos!
* * *
De qualquer maneira, a obrigação é comentar, e não, fazer
poesia. Se ela aparece às vezes, é bônus!
Abraço do tesco.
SORTESFCO 63
ARQUIVO X: O SER DO ESPAÇO
GLEN MORGAN e JAMES WONG
"Madrugada escura, um caminhoneiro
solitário, carga pesada, estrada vazia.
De repente o caminhão para. Um zumbido
e uma estranha reverberação no ar. Algo
começa a se afastar para o alto. Uma
forma estranha, grande o suficiente para
encobrir as estrelas. Tudo montado como
um teatro de ficção científica, preparado
sob encomenda.Tudo era falso:
Omotorista, o estranho objeto noturno
e até a carga do caminhão."
Tem 102 páginas.
INSCREVA-SE ASSIM:
Escolha apenas UMA dezena, AINDA DISPONÍVEL,
entre 00 e 99, e indique sua escolha nos comentários.
Sua opção será válida ATÉ às 17 horas do dia do sorteio.
O sorteio (item 2 do Regulamento) será em 03/06/2015.
GLEN MORGAN e JAMES WONG

solitário, carga pesada, estrada vazia.
De repente o caminhão para. Um zumbido
e uma estranha reverberação no ar. Algo
começa a se afastar para o alto. Uma
forma estranha, grande o suficiente para
encobrir as estrelas. Tudo montado como
um teatro de ficção científica, preparado
sob encomenda.Tudo era falso:
Omotorista, o estranho objeto noturno
e até a carga do caminhão."
Tem 102 páginas.
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Escolha apenas UMA dezena, AINDA DISPONÍVEL,
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Sua opção será válida ATÉ às 17 horas do dia do sorteio.
O sorteio (item 2 do Regulamento) será em 03/06/2015.
quarta-feira, 27 de maio de 2015
domingo, 24 de maio de 2015
ANALISANDO LETRAS-15
BANG BANG
Interessei-me pela letra dessa música justamente porque o
verso final diz:
"My baby shot me down", ou seja, "Meu bem atirou em mim".
Seria a narração de um crime passional?
Procurei a tradução da letra e, nesta procura, encontrei o blog
da Pam, o 'Go retro', onde, no post "A song story", ela conta a
história que a letra conta. Isso, em inglês, seria redundante,
pois a letra não é misteriosa. Mas, pra um babaca brasileiro
como eu, a explicação foi uma mão na roda.
Diz a Pam:
"Essa canção foi lançada em 1966, e é uma canção
depressiva: A cantora conta do seu amor, que costumava
brincar com ela, quando ainda eram crianças, e fingia atirar
nela enquanto cavalgava cavalo de 'cabo de vassoura'.
Eles cresceram e se casaram - casamento formal, com igreja,
sinos, música, dança, etc. - porém, apesar de tudo isso, ele
a deixou. Ela foi atingida de novo, desta vez, de uma forma
devastadora."
E continua, agora não com a história que a música conta,
mas com a trajetória da gravação:
"A versão de Nancy Sinatra foi lançada no mesmo ano de
1966, e permaneceu na obscuridade até ser escolhida para o
filme de Tarantino. Ela tem um tom mais melancólico e uma
abertura com efeito 'tremolo' na guitarra."
O filme de Tarantino citado é "Kill Bill" vol 1.
O clipe original desta música pode ser visto em Cher e tem
problema de sincronia som/imagem, mas, como já diz a Pam,
não existe outro na internet (orginal, de 1966).
A versão do filme é esta: Nancy Sinatra.
BANG BANG
Sonny Bono (1965)
I was five, and he was six
We rode on horses made of sticks
He wore black, and I wore white
He would always win the fight
Bang bang. He shot me down
Bang bang. I hit the ground
Bang bang. That awful sound
Bang bang. My baby shot me down
Seasons came, and changed the time
And I grew up I called him mine
He would always laugh and say:
Remember when we used to play
Bang bang. I shot you down
Bang bang. You hit the ground
Bang bang. That awful sound
Bang bang. I used to shoot you down
Music played, and people sang
Just for me the church bells rang
Now he's gone, I don't know why
Until this day sometimes I cry
He didn't even say goodbye
He didn't take the time to lie
Bang bang. He shot me down
Bang bang. I hit the ground
Bang bang. That awful sound
Bang bang. My baby shot me down
========
Tradução:
BANG BANG
Eu tinha cinco anos e ele seis
Cavalgávamos cavalos de pau
Ele vestia negro eeu vestia branco
Ele sempre vencia a briga
Bang bang, você atirou em mim
Bang bang, eu cai no chão
Bang bang, que terrível som
Bang bang, meu amor atirou em mim
Estações passaram e o tempo mudou
Quando eu cresci, o chamei de meu
Ele sempre ria e dizia
Lembre quando nós brincávamos:
Bang bang, lhe acertei
Bang bang, você caiu
Bang bang, que som terrível
Bang bang, eu costumava atirar em você
Música tocou e as pessoas cantaram
Só para mim os sinos da igreja soaram
Agora ele se foi, e eu não sei porque
Até hoje às vezes choro
Ele nem mesmo disse adeus
Não perdeu tempo para mentir
Bang bang, ele atirou
Bang bang, e eu cai
Bang bang, que som terrível
Bang bang, meu amor atirou em mim
* * *
Como vemos, não se trata de um crime passional mas, até
mais comum que este, um "crime sentimental". Este mundo
ainda tem esse nível!
Estava crente que o relativo sucesso desta música no Brasil,
na época do lançamento, havia sido com Nancy Sinatra, pois
não lembro de ter ouvido falar em Cher nesse tempo. Mas o
que me confundiu foi a divulgação ao mesmo temo de "These
boots are made for walking", da Nancy.
O "Bang bang" suscitou a versão em português (nessa época
as versões eram imediatas) cantada por Maritza Fabani. Não
a ouvia há quase 50 anos, mas eis que a relíquia está no You
Tube desde 2009: Maritza Fabiani - Bang Bang.
É uma versão de Carlos Wallace, e é uma versão muito boa,
não deixando reparos para ninguém, a não ser... o infeliz do
tesco, qe fica examinando ninharias!
Pois é, não desmerece a obra, mas o último verso da última
estrofe, antes do refrão, diz: "Todo o tempo me mentiu", e
isso não se pode deduzir do texto original, que diz apenas
que o 'fujão' "nem perdeu tempo pra inventar mentiras". o
que não invalida suas ações anteriores.
Mas isso, evidentemente, não é coisa pra ficar se explicando
numa versão de letra musicalto, , portaa letra do Wallace está
excelente! Veja se não está:
BANG! BANG!
Versão Carlos Wallace
Foi há tanto tempo atrás
Tempo que não volta mais
Um garoto atirava
De mocinho ele brincava
Bang! Bang! E eu caí
Bang! Bang! Me acertou
Bang! Bang! E me matou
Bang! Bang! Assim o conheci
O tempo a passar
Começamos a amar
Ele sempre se lembrava
E brincando então falava
Bang! Bang! Você caiu
Bang! Bang! Eu acertei
Bang! Bang! E a matei
Bang! Bang! Assim a conheci
Hoje não sei mais brincar
E nem gosto de lembrar
Todo o tempo bom que foi
Tão feliz para nós dois
De verdade ele acertou
E o meu amor matou
Sem aviso ele partiu
Todo o tempo me mentiu
Bang! Bang! E eu caí
Bang! Bang! Me acertou
Bang! Bang! E me deixou
Bang! Bang! Assim eu o perdi
* * *
Portanto, é possível versar e versejar sobre violência sem ser,
necessariamente, violento. Que a paz esteja conosco!
Abraço do tesco.
Interessei-me pela letra dessa música justamente porque o
verso final diz:
"My baby shot me down", ou seja, "Meu bem atirou em mim".
Seria a narração de um crime passional?
Procurei a tradução da letra e, nesta procura, encontrei o blog
da Pam, o 'Go retro', onde, no post "A song story", ela conta a
história que a letra conta. Isso, em inglês, seria redundante,
pois a letra não é misteriosa. Mas, pra um babaca brasileiro
como eu, a explicação foi uma mão na roda.
Diz a Pam:
"Essa canção foi lançada em 1966, e é uma canção
depressiva: A cantora conta do seu amor, que costumava
brincar com ela, quando ainda eram crianças, e fingia atirar
nela enquanto cavalgava cavalo de 'cabo de vassoura'.
Eles cresceram e se casaram - casamento formal, com igreja,
sinos, música, dança, etc. - porém, apesar de tudo isso, ele
a deixou. Ela foi atingida de novo, desta vez, de uma forma
devastadora."
E continua, agora não com a história que a música conta,
mas com a trajetória da gravação:
"A versão de Nancy Sinatra foi lançada no mesmo ano de
1966, e permaneceu na obscuridade até ser escolhida para o
filme de Tarantino. Ela tem um tom mais melancólico e uma
abertura com efeito 'tremolo' na guitarra."
O filme de Tarantino citado é "Kill Bill" vol 1.
O clipe original desta música pode ser visto em Cher e tem
problema de sincronia som/imagem, mas, como já diz a Pam,
não existe outro na internet (orginal, de 1966).
A versão do filme é esta: Nancy Sinatra.
BANG BANG
Sonny Bono (1965)
I was five, and he was six
We rode on horses made of sticks
He wore black, and I wore white
He would always win the fight
Bang bang. He shot me down
Bang bang. I hit the ground
Bang bang. That awful sound
Bang bang. My baby shot me down
Seasons came, and changed the time
And I grew up I called him mine
He would always laugh and say:
Remember when we used to play
Bang bang. I shot you down
Bang bang. You hit the ground
Bang bang. That awful sound
Bang bang. I used to shoot you down
Music played, and people sang
Just for me the church bells rang
Now he's gone, I don't know why
Until this day sometimes I cry
He didn't even say goodbye
He didn't take the time to lie
Bang bang. He shot me down
Bang bang. I hit the ground
Bang bang. That awful sound
Bang bang. My baby shot me down
========
Tradução:
BANG BANG
Eu tinha cinco anos e ele seis
Cavalgávamos cavalos de pau
Ele vestia negro eeu vestia branco
Ele sempre vencia a briga
Bang bang, você atirou em mim
Bang bang, eu cai no chão
Bang bang, que terrível som
Bang bang, meu amor atirou em mim
Estações passaram e o tempo mudou
Quando eu cresci, o chamei de meu
Ele sempre ria e dizia
Lembre quando nós brincávamos:
Bang bang, lhe acertei
Bang bang, você caiu
Bang bang, que som terrível
Bang bang, eu costumava atirar em você
Música tocou e as pessoas cantaram
Só para mim os sinos da igreja soaram
Agora ele se foi, e eu não sei porque
Até hoje às vezes choro
Ele nem mesmo disse adeus
Não perdeu tempo para mentir
Bang bang, ele atirou
Bang bang, e eu cai
Bang bang, que som terrível
Bang bang, meu amor atirou em mim
* * *
Como vemos, não se trata de um crime passional mas, até
mais comum que este, um "crime sentimental". Este mundo
ainda tem esse nível!
Estava crente que o relativo sucesso desta música no Brasil,
na época do lançamento, havia sido com Nancy Sinatra, pois
não lembro de ter ouvido falar em Cher nesse tempo. Mas o
que me confundiu foi a divulgação ao mesmo temo de "These
boots are made for walking", da Nancy.
O "Bang bang" suscitou a versão em português (nessa época
as versões eram imediatas) cantada por Maritza Fabani. Não
a ouvia há quase 50 anos, mas eis que a relíquia está no You
Tube desde 2009: Maritza Fabiani - Bang Bang.
É uma versão de Carlos Wallace, e é uma versão muito boa,
não deixando reparos para ninguém, a não ser... o infeliz do
tesco, qe fica examinando ninharias!
Pois é, não desmerece a obra, mas o último verso da última
estrofe, antes do refrão, diz: "Todo o tempo me mentiu", e
isso não se pode deduzir do texto original, que diz apenas
que o 'fujão' "nem perdeu tempo pra inventar mentiras". o
que não invalida suas ações anteriores.
Mas isso, evidentemente, não é coisa pra ficar se explicando
numa versão de letra musicalto, , portaa letra do Wallace está
excelente! Veja se não está:
BANG! BANG!
Versão Carlos Wallace
Foi há tanto tempo atrás
Tempo que não volta mais
Um garoto atirava
De mocinho ele brincava
Bang! Bang! E eu caí
Bang! Bang! Me acertou
Bang! Bang! E me matou
Bang! Bang! Assim o conheci
O tempo a passar
Começamos a amar
Ele sempre se lembrava
E brincando então falava
Bang! Bang! Você caiu
Bang! Bang! Eu acertei
Bang! Bang! E a matei
Bang! Bang! Assim a conheci
Hoje não sei mais brincar
E nem gosto de lembrar
Todo o tempo bom que foi
Tão feliz para nós dois
De verdade ele acertou
E o meu amor matou
Sem aviso ele partiu
Todo o tempo me mentiu
Bang! Bang! E eu caí
Bang! Bang! Me acertou
Bang! Bang! E me deixou
Bang! Bang! Assim eu o perdi
* * *
Portanto, é possível versar e versejar sobre violência sem ser,
necessariamente, violento. Que a paz esteja conosco!
Abraço do tesco.
SORTESCO 346
CRUZ E SOUSA
por PAULO LEMINSKI
Não é um livro de poesias desse poeta
catarinense, mas uma tentativa de
esboço biográfico e, tentativamente
também, uma análise de sua poesia.
Falo em tentativa porque é um livreto,
formato bolso, de apenas 80 páginas.
Impossível seria, nesse pequeno espaço,
descrever a vida de um poeta negro em
tempo de escravidão, além de dissecar
sua poesia simbolista, quase única no
Brasil. E o quê se pode ganhar lendo
um opúsculo desse? O diferencial está na autoria, pois trata-
se da visão de outro grande poeta, Leminski, (1944-1989).
É uma boa pedida!
INSCREVA -SE ASSIM:
Escolha apenas UMA dezena, AINDA DISPONÍVEL,
entre 00 e 99, e indique sua escolha nos comentários.
Sua opção será válida ATÉ às 17 horas do dia do sorteio.
O sorteio (item 2 do Regulamento) será em 30/05/2015.
por PAULO LEMINSKI

catarinense, mas uma tentativa de
esboço biográfico e, tentativamente
também, uma análise de sua poesia.
Falo em tentativa porque é um livreto,
formato bolso, de apenas 80 páginas.
Impossível seria, nesse pequeno espaço,
descrever a vida de um poeta negro em
tempo de escravidão, além de dissecar
sua poesia simbolista, quase única no
Brasil. E o quê se pode ganhar lendo
um opúsculo desse? O diferencial está na autoria, pois trata-
se da visão de outro grande poeta, Leminski, (1944-1989).
É uma boa pedida!
INSCREVA -SE ASSIM:
Escolha apenas UMA dezena, AINDA DISPONÍVEL,
entre 00 e 99, e indique sua escolha nos comentários.
Sua opção será válida ATÉ às 17 horas do dia do sorteio.
O sorteio (item 2 do Regulamento) será em 30/05/2015.
sábado, 23 de maio de 2015
quinta-feira, 21 de maio de 2015
CONTRACANTO: TELEPATIA
Os caminhos da vida são misteriosos. É como a confecção de
um bordado, maravilhoso quando visto de cima, mas, visto
por baixo, não se entende nada.
Assim a trama dos amores: "Quem eu quero não me quer",
juntos quem não se entende, aquela que amo está casada,
separam-se grandes enamorados, o homem da minha vida
já é de outra, e assim se arrasta a humanidade.
Desse modo, um casal, que aparentemente daria certo, tem
uma briguinha, se desentende, e os dois nunca mais se veem.
Porém, nos dois lados, suspiros se sucedem, beijos suscitam
saudades, lembranças geram devaneios, reforçam-se certezas,
e é um só amor com dois polos distantes.
Infelizmente, não é coisa tão invulgar como se possa imaginar.
É, talvez, uma situação dessas que a Shirley retrata no sábado
passado, em seu poema "Telepatia". Dividida entre momentos
triviais, como o ar frio de uma madrugada, os reclamos de um
cão, a palidez da lua entre nuvens, e a lembrança de instantes
românticos de um passado que não se deixa esquecer, a poeta
representa um dos polos de uma força incoercível.
Veja na sequência:
TELEPATIA
Shirley
(2015.05.16)
"Acordo
vou lá fora cuidar do meu velho cão...
No céu da madrugada fria nublada
meu olhar converge para um ponto de luz
incerto amarelado
a denunciar a presença apagada da lua.
Meu ser
transborda sonhos lembranças
quando amasso uma página do passado
no atual experimento da vida.
Uma vez mais
os meus olhos brilham
nas profundezas da noite.
Quero concentrar-me
cerro as pálpebras
o cachorro reclama minha atenção
e antes que eu esqueça
sem pressa procuro uma rima rica
para lhe enviar esta última mensagem:
Nosso amor acabou
mas você não me sai da cabeça..."
* * *
Na telepatia é imprescindível dois polos, e o outro polo da
Shirley existe e está em sintonia. Neste mesmo momento,
quem sabe, também olhando a lua, o moço - já não tão moço -
rememora as loucuras da mocidade, quando menosprezou o
amor incipiente, que não podia dar frutos de imediato, pela
febre do "descobridor dos sete mares", e foi conhecer as
coisas que estão no mundo.
É jovem, não sabe ele que o que se pode ter de verdade, não
é palpável, que sentimento é a maior riqueza do mundo, e
que o tempo é inexorável, e só anda pra frente!
Veja a seguir, como tesco representa o outro polo:
RETORNAR É PRECISO
tesco
(2015.05.18)
"Sabia que era feliz
Mas me ausentei mesmo assim
A loucura estava em mim
Tinha desejos febris
Só procurava venturas
Mas nenhuma encontrei
Todo caminho que andei
Me produziu desventura
Naufragando em alto mar
De súbito me vem o siso
Muito mais que navegar
Retornar é que é preciso
Dor de amor eu não conheço
O amor nunca me doi
O que sinto - e estremeço -
É uma imensa saudade
Esta é que na verdade
A minha alma corrói
A loucura já findou
Agonizo em desespero
Preciso do teu tempero
Nosso amor não acabou
"Nunca, jamais me esqueças!"
A luz da lua me grita
Mais nada ao redor me excita
E nem me sai da cabeça
Não vou ao desconhecido
Apenas uma intenção:
Alcançar teu coração
É o que me faz atrevido"
* * *
Assim, a telepatia às vezes funciona, transmitindo a magia de
um encantamento entre dois corações, que deveriam estar
unidos, e decisões desafortunadas, escolhas voluntárias mas
impensadas, os levaram a afastar-se.
Quiçá, tudo que foi mal feito possa ser refeito; tudo que não
foi feito tenha sua oportunidade; e tudo que foi desfeito possa
renascer para novo aprendizado.
Abraço do tesco.
um bordado, maravilhoso quando visto de cima, mas, visto
por baixo, não se entende nada.
Assim a trama dos amores: "Quem eu quero não me quer",
juntos quem não se entende, aquela que amo está casada,
separam-se grandes enamorados, o homem da minha vida
já é de outra, e assim se arrasta a humanidade.
Desse modo, um casal, que aparentemente daria certo, tem
uma briguinha, se desentende, e os dois nunca mais se veem.
Porém, nos dois lados, suspiros se sucedem, beijos suscitam
saudades, lembranças geram devaneios, reforçam-se certezas,
e é um só amor com dois polos distantes.
Infelizmente, não é coisa tão invulgar como se possa imaginar.
É, talvez, uma situação dessas que a Shirley retrata no sábado
passado, em seu poema "Telepatia". Dividida entre momentos
triviais, como o ar frio de uma madrugada, os reclamos de um
cão, a palidez da lua entre nuvens, e a lembrança de instantes
românticos de um passado que não se deixa esquecer, a poeta
representa um dos polos de uma força incoercível.
Veja na sequência:
TELEPATIA
Shirley
(2015.05.16)
"Acordo
vou lá fora cuidar do meu velho cão...
No céu da madrugada fria nublada
meu olhar converge para um ponto de luz
incerto amarelado
a denunciar a presença apagada da lua.
Meu ser
transborda sonhos lembranças
quando amasso uma página do passado
no atual experimento da vida.
Uma vez mais
os meus olhos brilham
nas profundezas da noite.
Quero concentrar-me
cerro as pálpebras
o cachorro reclama minha atenção
e antes que eu esqueça
sem pressa procuro uma rima rica
para lhe enviar esta última mensagem:
Nosso amor acabou
mas você não me sai da cabeça..."
* * *
Na telepatia é imprescindível dois polos, e o outro polo da
Shirley existe e está em sintonia. Neste mesmo momento,
quem sabe, também olhando a lua, o moço - já não tão moço -
rememora as loucuras da mocidade, quando menosprezou o
amor incipiente, que não podia dar frutos de imediato, pela
febre do "descobridor dos sete mares", e foi conhecer as
coisas que estão no mundo.
É jovem, não sabe ele que o que se pode ter de verdade, não
é palpável, que sentimento é a maior riqueza do mundo, e
que o tempo é inexorável, e só anda pra frente!
Veja a seguir, como tesco representa o outro polo:
RETORNAR É PRECISO
tesco
(2015.05.18)
"Sabia que era feliz
Mas me ausentei mesmo assim
A loucura estava em mim
Tinha desejos febris
Só procurava venturas
Mas nenhuma encontrei
Todo caminho que andei
Me produziu desventura
Naufragando em alto mar
De súbito me vem o siso
Muito mais que navegar
Retornar é que é preciso
Dor de amor eu não conheço
O amor nunca me doi
O que sinto - e estremeço -
É uma imensa saudade
Esta é que na verdade
A minha alma corrói
A loucura já findou
Agonizo em desespero
Preciso do teu tempero
Nosso amor não acabou
"Nunca, jamais me esqueças!"
A luz da lua me grita
Mais nada ao redor me excita
E nem me sai da cabeça
Não vou ao desconhecido
Apenas uma intenção:
Alcançar teu coração
É o que me faz atrevido"
* * *
Assim, a telepatia às vezes funciona, transmitindo a magia de
um encantamento entre dois corações, que deveriam estar
unidos, e decisões desafortunadas, escolhas voluntárias mas
impensadas, os levaram a afastar-se.
Quiçá, tudo que foi mal feito possa ser refeito; tudo que não
foi feito tenha sua oportunidade; e tudo que foi desfeito possa
renascer para novo aprendizado.
Abraço do tesco.
quarta-feira, 20 de maio de 2015
SORTESFCO 62
AS CRISÁLIDAS
JOHN WYNDHAM
"O pé estava todo inchado e torcido. Nem
sequer reparei, então, que tinha mais
que o número habitual de dedos... Ali
floresciam coisas contra as leis divinas
como se tivessem esse direito."
Mesmo numa Terra "pós-tribulação" nem
o preconceito nem o fundamentalismo
desaparecem, pelo contrário, somam-se,
como demonstra o cartaz: "Maldito é o
mutante aos olhos de Deus e dos homens". O homem continua pensando
que sabe o que Deus pensa. Com 190 páginas.
INSCREVA-SE ASSIM:
Escolha apenas UMA dezena, AINDA DISPONÍVEL,
entre 00 e 99, e indique sua escolha nos comentários.
Sua opção será válida ATÉ às 17 horas do dia do sorteio.
O sorteio (item 2 do Regulamento) será em 27/05/2015.
JOHN WYNDHAM

sequer reparei, então, que tinha mais
que o número habitual de dedos... Ali
floresciam coisas contra as leis divinas
como se tivessem esse direito."
Mesmo numa Terra "pós-tribulação" nem
o preconceito nem o fundamentalismo
desaparecem, pelo contrário, somam-se,
como demonstra o cartaz: "Maldito é o
mutante aos olhos de Deus e dos homens". O homem continua pensando
que sabe o que Deus pensa. Com 190 páginas.
INSCREVA-SE ASSIM:
Escolha apenas UMA dezena, AINDA DISPONÍVEL,
entre 00 e 99, e indique sua escolha nos comentários.
Sua opção será válida ATÉ às 17 horas do dia do sorteio.
O sorteio (item 2 do Regulamento) será em 27/05/2015.
domingo, 17 de maio de 2015
BOBAGENS LINGUÍSTICAS 31
SOTEROPOLITANO
Acho muito irregular que o baiano nascido em Salvador se
intitule 'soteropolitano', isso deve ter-se originado de uma
brincadeira de algum erudito.
- Ô, meu rei, e a cidade do Salvador não é Soterópolis em
grego?
Certamente, mas Salvador nunca teve o nome de Soterópolis,
e, consequentemente, a derivação de gentílico de um nome
pelo grego é irregular. O normal é a derivação do latim, caso
a derivação em português se torne complicada.
É o caso de Três Corações, cidade mineira, cujo gentílico é
tricordiano; fluminense, para o natural do Estado do Rio de
Janeiro (por mim seria janeirense); ludovicense (tem coisa
mais ridicula?) para quem nasce em São Luís;
A derivação do grego é normal para as cidades que têm
componente de origem grega no nome, como são Neópolis,
Petrópolis, Teresópolis, Florianópolis, Ribeirópolis,
Cristinápolis, Quirinópolis, etc..
- Então, meu camaradinha, qual é o certo?
O certo, como frisou o filólogo Celso Pedro Luft (1921-1995),
é o que a maioria dos praticantes da língua usa. Como a
maioria dos 'salvadorenses' prefere soteropolitano, assim
será. Mas não há motivo plausível para o "soteropolitano",
a não ser o desejo de se sobressair.
'BOOKISH ENGLISH'
De acordo com a dissertação de Mestrado em Lingüística,
pela PUC-SP em 2006, da professora Giseli Previdente
Martins Vicentini, "A Lingüística de Corpus e o seriado
Friends como base para o ensino de chunks em sala de
aula de Língua Inglesa", "Bookish English" é o termo usado
para caracterizar o inglês “muito certinho”, de acordo com
todas as regras gramaticais ensinadas nos livros, e que na
verdade, não representa com precisão a linguagem usada
na vida real.
Para quem pensa que somente no Brasil não se fala a língua
corretamente, como é ensinada nos livros didáticos, a junção com a realidade pode ser um tremendo choque. Creio que
em lugar algum do mundo ocorre essa 'justaposição'.
Contrariamente, lembrei de uma velha piada, e como minhas
filhas dizem, "uma das piadas sem graça, do papai".
Mas contam que, numa das pequenas cidades do interior do
Nordeste, chegou certa vez, um visitante norte-americano, e
que, naturalmente, não falava nada em português.
Aí o pessoal, imediatamente, se lembrou do João:
- Chama o João, João sabe ingreis!
E veio o João, que, realmente, havia entendido todos os
ensinamentos fornecidos por uma velha gramática que ele
conseguira. Apenas um detalhe: A gramática não falava nada
sobre a pronúncia inglesa!
Confiante em seu conhecimento, João acercou-se do rapaz
e falou, bem pausadamente pra todo mundo entender:
- I ave a boóc ofe engliche in mi ouse.
O visitante, nada entendendo, só conseguiu articular uma
iterjeição:
- Huh?!
João, muito satisfeito com o espanto do outro, que ele pensou
ser de reconhecimento de sua sabedoria, completou:
- I liqui veri muchi!
Os ingleses não entendem porque são uns bobocas!
Abraço do tesco.
Acho muito irregular que o baiano nascido em Salvador se
intitule 'soteropolitano', isso deve ter-se originado de uma
brincadeira de algum erudito.
- Ô, meu rei, e a cidade do Salvador não é Soterópolis em
grego?
Certamente, mas Salvador nunca teve o nome de Soterópolis,
e, consequentemente, a derivação de gentílico de um nome
pelo grego é irregular. O normal é a derivação do latim, caso
a derivação em português se torne complicada.
É o caso de Três Corações, cidade mineira, cujo gentílico é
tricordiano; fluminense, para o natural do Estado do Rio de
Janeiro (por mim seria janeirense); ludovicense (tem coisa
mais ridicula?) para quem nasce em São Luís;
A derivação do grego é normal para as cidades que têm
componente de origem grega no nome, como são Neópolis,
Petrópolis, Teresópolis, Florianópolis, Ribeirópolis,
Cristinápolis, Quirinópolis, etc..
- Então, meu camaradinha, qual é o certo?
O certo, como frisou o filólogo Celso Pedro Luft (1921-1995),
é o que a maioria dos praticantes da língua usa. Como a
maioria dos 'salvadorenses' prefere soteropolitano, assim
será. Mas não há motivo plausível para o "soteropolitano",
a não ser o desejo de se sobressair.
'BOOKISH ENGLISH'
De acordo com a dissertação de Mestrado em Lingüística,
pela PUC-SP em 2006, da professora Giseli Previdente
Martins Vicentini, "A Lingüística de Corpus e o seriado
Friends como base para o ensino de chunks em sala de
aula de Língua Inglesa", "Bookish English" é o termo usado
para caracterizar o inglês “muito certinho”, de acordo com
todas as regras gramaticais ensinadas nos livros, e que na
verdade, não representa com precisão a linguagem usada
na vida real.
Para quem pensa que somente no Brasil não se fala a língua
corretamente, como é ensinada nos livros didáticos, a junção com a realidade pode ser um tremendo choque. Creio que
em lugar algum do mundo ocorre essa 'justaposição'.
Contrariamente, lembrei de uma velha piada, e como minhas
filhas dizem, "uma das piadas sem graça, do papai".
Mas contam que, numa das pequenas cidades do interior do
Nordeste, chegou certa vez, um visitante norte-americano, e
que, naturalmente, não falava nada em português.
Aí o pessoal, imediatamente, se lembrou do João:
- Chama o João, João sabe ingreis!
E veio o João, que, realmente, havia entendido todos os
ensinamentos fornecidos por uma velha gramática que ele
conseguira. Apenas um detalhe: A gramática não falava nada
sobre a pronúncia inglesa!
Confiante em seu conhecimento, João acercou-se do rapaz
e falou, bem pausadamente pra todo mundo entender:
- I ave a boóc ofe engliche in mi ouse.
O visitante, nada entendendo, só conseguiu articular uma
iterjeição:
- Huh?!
João, muito satisfeito com o espanto do outro, que ele pensou
ser de reconhecimento de sua sabedoria, completou:
- I liqui veri muchi!
Os ingleses não entendem porque são uns bobocas!
Abraço do tesco.
sábado, 16 de maio de 2015
SORTESCO 345
HISTÓRIA DO BRASIL EM QUADRINHOS
PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA
EDSON ROSSATTO - LAUDO -
OMAR VIÑOLE
"Foram muitas as dificuldades ao longo
da vida de Dom Pedro II. Em especial,
no período em que ocorreu a Guerra do
Paraguai, com o custo de centenas de
milhares de mortos em batalhas. Só de
brasileiros calculam-se 50.000 vítimas.
A economia baseava-se na vergonhosa
mão de obra escrava, com os navios
negreiros indo vazios e voltando cheios
de seres humanos rebaixados ao nível
de mercardorias. Sem falar nos boatos,
nas intrigas palacianas e nas fofocas."
Divertida forma de aprender, em 64 páginas,
de uma edição bem cuidada, toda colorida.
INSCREVA -SE ASSIM:
Escolha apenas UMA dezena, AINDA DISPONÍVEL,
entre 00 e 99, e indique sua escolha nos comentários.
Sua opção será válida ATÉ às 17 horas do dia do sorteio.
O sorteio (item 2 do Regulamento) será em 23/05/2015.
PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA
EDSON ROSSATTO - LAUDO -
OMAR VIÑOLE

da vida de Dom Pedro II. Em especial,
no período em que ocorreu a Guerra do
Paraguai, com o custo de centenas de
milhares de mortos em batalhas. Só de
brasileiros calculam-se 50.000 vítimas.
A economia baseava-se na vergonhosa
mão de obra escrava, com os navios
negreiros indo vazios e voltando cheios
de seres humanos rebaixados ao nível
de mercardorias. Sem falar nos boatos,
nas intrigas palacianas e nas fofocas."
Divertida forma de aprender, em 64 páginas,
de uma edição bem cuidada, toda colorida.
INSCREVA -SE ASSIM:
Escolha apenas UMA dezena, AINDA DISPONÍVEL,
entre 00 e 99, e indique sua escolha nos comentários.
Sua opção será válida ATÉ às 17 horas do dia do sorteio.
O sorteio (item 2 do Regulamento) será em 23/05/2015.
quinta-feira, 14 de maio de 2015
CONTRACANTO: COMILANÇA
Como já foi dito aqui no blog, não é de hoje que eu construo
poemas como comentários a post poéticos , mas, sem dúvida
nenhuma, isso só se tornou sistemático quando passei a
comentar o blog da Shirley.
Eis que, desde fevereiro, frequento também o blog da Céu,
que compõe belíssimas poesias e, quando as posta, vejo-me
tentado a comentá-las com um poemeto.
Encontro aí então, uma grande dificuldade: Céu compõe
poemas intensamente eróticos, campo em que não tenho
nenhuma experiência e, ao mesmo tempo, não é fácil por
ideias alinhadas aí sem deixá-las tender para o pornográfico.
Principalmente para mim, que sigo a filosofia de Odorico
Paraguassu:
"Vamos deixar de lado os 'considerando' e vamos direto
para os 'finalmente!'
Procuro então, contornar as coisas com perífrases, elipses, hipérbatos, anacolutos e outras figuras de linguagem de que
nem me lembro o nome.
Fica também difícil para o pobre viandante que apenas pede
um pouco de comida, e em vez de lhe apresentarem um prato
de angu, levam-no à uma mesa de banquete com dezenas de
iguarias. O quê escolher de início?
Nesta mais recente postagem, "Festa", em que o poema da Céu
até que foi pequeno, tentei focalizar algo em que pudesse me
segurar, e daí desenvolver alguma linha de ideias. Minha atenção foi despertada pelos versos:
"alisa os meus seios aguçados
de rosáceas alteradas em pé de vento, alvoroçadas.
São como figos escuros, um tanto maduros"
"Ah, adoro figos!" penso, "Vou pegar esse gancho" e isso
me leva a desenvolver uma "tarde de frutas". Muito bem,
os dois versos finais, porém, conduzem-me a uma outra
realidade:
"esperneando, fazendo fita, para uma festa de entrega
que, será de arromba, pode estar certa."
Ih! O caldo engrossou! Depois de uma festa... Outra festa!
Disso tudo resultou isto:
COMILANÇA
tesco
(2015.05.12)
"Visitando tua quinta
Desfruto do teu pomar
Afrouxo logo a cinta
Ficarei para o jantar
As fruteiras carregadas
Figos, morangos, cerejas
As vistas já'stão fechadas
Venha de lá o que seja
Não ouso mais devorar
De fato já estou pleno
Tenho o ânimo sereno
De quem comeu pra danar
Tu agora me convidas:
- Uma festa de entrega?
Não aguento tal refrega
Viro pro lado sem vida
Mas em paz tu não me deixas
"Inda tem o que comer"
Levanto e esqueço as queixas
O meu destino é... sofrer!"
* * *
Não posso deixar a anfitriã descontente com o hóspede, não
é mesmo? Parto pois, corajosamente, para o sacrifício!
Os comentários no blog da Céu, no entanto, não permitem a
mesma estrutura que os da Shirley, em que transcrevo no post
Contracanto, o poema que originou o comentário. Os poemas
da Céu são muito mais longos, não se conformando aos limites
restritos do nosso 'lay out'. Além disso ela baseia seus poemas
em vídeos, que não têm motivo para ser postados aqui, se já
estão postados lá.
Portanto, havendo futuros posts na linha "Celeste", seguirão
esse mesmo padrão: O leitor seguirá o link para ver a obra
original. O que é um "sacrifício" que eu recomendo!
Abraço do tesco.
poemas como comentários a post poéticos , mas, sem dúvida
nenhuma, isso só se tornou sistemático quando passei a
comentar o blog da Shirley.
Eis que, desde fevereiro, frequento também o blog da Céu,
que compõe belíssimas poesias e, quando as posta, vejo-me
tentado a comentá-las com um poemeto.
Encontro aí então, uma grande dificuldade: Céu compõe
poemas intensamente eróticos, campo em que não tenho
nenhuma experiência e, ao mesmo tempo, não é fácil por
ideias alinhadas aí sem deixá-las tender para o pornográfico.
Principalmente para mim, que sigo a filosofia de Odorico
Paraguassu:
"Vamos deixar de lado os 'considerando' e vamos direto
para os 'finalmente!'
Procuro então, contornar as coisas com perífrases, elipses, hipérbatos, anacolutos e outras figuras de linguagem de que
nem me lembro o nome.
Fica também difícil para o pobre viandante que apenas pede
um pouco de comida, e em vez de lhe apresentarem um prato
de angu, levam-no à uma mesa de banquete com dezenas de
iguarias. O quê escolher de início?
Nesta mais recente postagem, "Festa", em que o poema da Céu
até que foi pequeno, tentei focalizar algo em que pudesse me
segurar, e daí desenvolver alguma linha de ideias. Minha atenção foi despertada pelos versos:
"alisa os meus seios aguçados
de rosáceas alteradas em pé de vento, alvoroçadas.
São como figos escuros, um tanto maduros"
"Ah, adoro figos!" penso, "Vou pegar esse gancho" e isso
me leva a desenvolver uma "tarde de frutas". Muito bem,
os dois versos finais, porém, conduzem-me a uma outra
realidade:
"esperneando, fazendo fita, para uma festa de entrega
que, será de arromba, pode estar certa."
Ih! O caldo engrossou! Depois de uma festa... Outra festa!
Disso tudo resultou isto:
COMILANÇA
tesco
(2015.05.12)
"Visitando tua quinta
Desfruto do teu pomar
Afrouxo logo a cinta
Ficarei para o jantar
As fruteiras carregadas
Figos, morangos, cerejas
As vistas já'stão fechadas
Venha de lá o que seja
Não ouso mais devorar
De fato já estou pleno
Tenho o ânimo sereno
De quem comeu pra danar
Tu agora me convidas:
- Uma festa de entrega?
Não aguento tal refrega
Viro pro lado sem vida
Mas em paz tu não me deixas
"Inda tem o que comer"
Levanto e esqueço as queixas
O meu destino é... sofrer!"
* * *
Não posso deixar a anfitriã descontente com o hóspede, não
é mesmo? Parto pois, corajosamente, para o sacrifício!
Os comentários no blog da Céu, no entanto, não permitem a
mesma estrutura que os da Shirley, em que transcrevo no post
Contracanto, o poema que originou o comentário. Os poemas
da Céu são muito mais longos, não se conformando aos limites
restritos do nosso 'lay out'. Além disso ela baseia seus poemas
em vídeos, que não têm motivo para ser postados aqui, se já
estão postados lá.
Portanto, havendo futuros posts na linha "Celeste", seguirão
esse mesmo padrão: O leitor seguirá o link para ver a obra
original. O que é um "sacrifício" que eu recomendo!
Abraço do tesco.
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