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quinta-feira, 2 de julho de 2015

CONTRACANTO: PROPOSTA ACEITA

No sábado passado, Shirley fez uma romântica proposta
- não 
a mim, claro - a um amante que está, talvez, distanciado 
fisicamente, mas,com certeza, distanciado emocionalmente: 
Por razões desconhecidas resolveu desatar o vínculo que o 
ligava à doce amada. 

Loucura? Ambição? Inconsciência momentânea? Muitas são 
as explicações possíveis, e os casos são bem numerosos. 
As reações, no entanto, são de duas ordens: 
Uma é a de alívio: - Até que enfim, aquele traste foi embora! 
A outra é a sensação de perda: - Meu Deus! Que será de mim? 

Esta última pode ser causada por verdadeira afeição. E é este 
o caso enfocado no poema da Shirley, ela se sente ninguém 
com a ausência  e não há barreira que possa impedi-la de 
recuperar o amor perdido, a não ser a recusa dele. 

Veja se não é isso que ela nos mostra: 

PROPOSTA 
Shirley
(2015.06.27)

"Sou barco perdido 

nas águas da noite 
partículas de poeira 
a flutuar diante das estrelas. 
Sou ninguém 
sem o seu cheiro e o seu amor 
e se ainda me quer 
me chame que eu vou... 
Porque 
não há porta ou janela 
muro ou cerca elétrica
que me impeça 
de correr até você." 

   *   *   *   

Vimos então que ela demonstra dúvida sobre os sentimentos 
dele, que pode querer retornar ao antigo estado ou não. 
Fatores diversos podem influir nesta decisão enão fazemos 
a menor ideia de qual ela seja. 

Para dar continuidade a este romance, porém, assumimos que
o sujeito quer refazer toda a situação anterior e, na sua pseudo 
resposta, faz algumas analogias para seus sofrimentos e ainda 
reafirma sua intenção de "recadastrar-se" na rede dela. 

DUVIDA?
tesco 
(2015.06.30)

"E se ainda me quer..." 


O que significa isto 

Pois, se eu ainda existo? 
Quando olho as estrelas 
Não almejo ir pra elas 
Só para ti me projeto 
Tenho a vida de um inseto 
Sem ter uma fruta em vista 
A jornada de alpinista 
Sem uma montanha à frente 
Levo vida descontente 
Sem ter uma meta certa 
E a saudade sempre aperta 
Quando te lembro a figura 
Minha santa criatura 
Tu não conheces tormento 
Quebro a cara, me arrebento 
Mas para ti voltarei 
Terei a sorte de um rei 
Quando estiver ao teu lado 
Reviverei o passado 
Recuperando a mulher. 

"E se ainda me quer...!" 


   *   *   *  

A intenção do 'nosso herói' parece ser firme e decidida, se ela 
duvida, ele não. 

Um poema, porém, não apresenta somente uma interpretação, 
como se fosse versão cinematográfica de um livro. Além desse 
fato, o poema em questão mostra facetas variadas para uma 
abordagem diversificada. 

O que me atraiu a atenção foram os dois versos iniciais, que 
estão formatados numa mesma métrica - redondilha menor, 
como são chamados os versos de cinco sílabas - sugerindo-me 
imeditamente novo poema com a nova métrica. 

Mantendo a mesma temática e a mesma intenção, pus-me a 
caminho e, utilizando outras palavras, tal foi o resultado:

ME CHAMA QUE VOU
tesco 
(2015.06.30)

"Sou barco perdido 

nas águas da noite 
embora me afoite 
em terra ignota 
meu senso se embota 
não há quem me acoite 
me sinto fugido 
e desiludido. 

Sem porta ou janela 

pra me dar escape 
eu temo tacape 
de bruto demente 
que meta o dente 
e me esfarrape 
meu crânio destape 
e deixe sequela. 

Entanto, teu sou, 

talvez nada valha 
rasteira gentalha 
de pó sou partíc'la 
que nada recicla 
e o sangue se coalha 
mas se me agasalhas 
me chama que vou." 

   *   *   *   
Duas advertencias me parecem necessárias. 
Primeiro que a metáfora predomina. Portanto, o denominado 
"bruto demente" não é um selvagem primitivo ou um louco 
furioso, mas a própria mente do indivíduo, se desgovernando 
e pondo-o "esfarrapado". 

Segundo, já é praxe que eu aproveite o embalo ao formar um 
poema e me ponha a elaborar outro, muitas vezes com a 
reciclagem de elementos desprezados no poema anterior. 
Então, não se trata de um vão exibicionismo, mas de exemplo 
de 'economia sustentável'. 

Esclarecido isto, convém ressaltar que  'Proposta' da Shirley 
foi devidamente aceita. Pois não? 

Abraço do tesco. 

9 comentários:

lua singular disse...

Tesco,

Eu só tenho uma coisa a dizer: Você é o cara!
Eu tinha 15 anos quando andei por três anos de maria-fumaça para outra cidade para fazer o Normal.
Sinto saudades dos amores que morreram no ar, sinto saudades das flores, das campinas e choro a cidade muda circundada de canaviais, sinto saudade da beleza que ficou para trás, não que eu me ache feia.kkk
Adoro a Shirley
Eu tenho mas atrás pequenos contos recheados de metáforas, parece que os dois gostam demais. Eu também gosto.
Beijos no coração
Agora vou dormir....

ॐ Shirley ॐ disse...

Como eu já disse, você vê detalhes que eu mesma não percebo em algumas poesias.
Parabéns, pela inspiração em dose dupla rs. Muito bons!
Boa noite, tesco, beijos!

Hecta disse...


Tesco, você anda mesmo inspirado e creio ser essa uma excelente parceria (com Shirley).
contudo...o tempo ensina que os amores partem mesmo, para que outros novos venham...
A destruição, as partidas fazem parte...isso para que o novo possa vir.
hiscla

tesco disse...

É verdade, Shirley, que vejo detalhes que voce não percebe,
mas isto não é peculiaridade minha.
É que vejo a obra como leitor e você a vê como autora.
Como consequência natural você não pode abranger todo o
universo que o poema descortina, tem que se ocupar com
o conteúdo, a coerência, a estrutura, a beleza e a grafia
dele. A visão fica restringida, queiramos ou não.
Embora a maioria das pessoas não perceba, já se dirigem
a qualquer peça com a intenção de um sentido único de
interpretação, e as coisas da vida, e da arte, não são
assim, exclusivistas.
Kisojn.


tesco disse...

Sim, hiscla, a vida é isso, uma eterna reciclagem.
Há momentos de destruição e momentos de renascimento.
Mas em termos de amores, o ser humano é mais apegado,
e crê que o passado é que é o tempo bom, quando o
melhor tempo, na verdade, é o futuro!
Kisojn.

tesco disse...

Que belo poema está embutido no seu comentário, Lua!
Creio que o deve burilar para publicá-lo.
Kisojn.

Clara Lucia disse...

Uma parceria perfeita!
Sinto no primeiro poema, que o rapaz se foi, mas deixou um pé virado pra trás, digamos que deu um beijo e deixou um cheiro. Não foi um adeus, mas um "se quiser eu volto".
E foi o que fez. Talvez foi embora só pra provocar o coração da coitada, que nem entendeu o porquê da partida. Então o trouxe, em pensamento, e ele lá do outro lado, leu o pensamento e sentiu vontade de voltar....
Que lindo!
Beijos nos dois!

tesco disse...

Tive a mesma sensação, Clara, o adeus definitivo
não deixa endereço. Ela sabe onde ele se encontra
e pode se comunicar.
Não sei até que ponto nossa poesia se casa, pois
a minha já é concebida "noiva", comprometida. rerré!
Beijos.

lua singular disse...

Oi tesco,
Nunca é tarde para ser feliz!
Hoje sou feliz
Beijos no coração