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quinta-feira, 13 de novembro de 2014

CONTRACANTO: BRINCADEIRA MUSICAL



Estereótipos de poetas são sempre enganadores.
Quem não conhece de perto os poetas consagrados, poderá
construir deles uma imagem que não corresponderá à
realidade.


Se se pensa numa pessoa melancólica, sonhadora, triste,
sisuda, circunspecta (Virge! Num tem coisa mais simples?),
a partir de seus poemas, pode-se entrar numa tremenda
arapuca.

Tome-se, por exemplo, Vinícius de Moraes, grande boêmio,
apreciador de uma mesa de bar e mulherengo. O grande
Mário Quintana nos brindou com numerosos exemplares
poéticos de bom-humor. Drummond não deixa de lado a
poesia em seus poemas eróticos. A tipificação dos poetas,
portanto, é multifacetada.

E o poeta não tem, necessariamente, que tomar como
padrão, o modo como todos, ao seu redor, observam
determinada matéria.

Fundado nisto, é que eu, em primeiro de setembro, observei
o poema que a Shirley havia postado em seu blog, dois dias
antes.

Ali ela fala de uma pessoa que está observando a paisagem
como um conjunto global, em que o vento, as nuvens, o céu,
a tarde, as pessoas, tudo participa do concerto da natureza.
Mesmo sem perceber os demais componentes, todos tocam
seus instrumentos na mesma orquestra.

Descreve uma paisagem encantadora, graciosa, talvez até
bucólica, mas os seres humanos, “cuidadosos quanto ao
que hão de comer, de beber, de vestir, não olharam as
aves do céu, nem os lírios do campo”.
 

Vejam o que nos transmite a graciosa poeta: 

PENSAMENTOS SEM RUMO
Shirley
(2014.08.30)

As nuvens chegaram
ensimesmadas
flutuando a esmo
no calor do dia azul.
Vieram em bandos
humildes e brancas
com o coração vazio.
As pessoas que passavam
não notaram
imersas que estavam
numa frequência vibratória instintiva
presas aos valores supérfluos da vida.
Bocejando
o vento dispersou as horas
e estando você tão distante
fiquei a dialogar comigo mesma
sentada nos degraus da tarde... 
* * *


Tudo calmo, tudo tranquilo, tudo simples, e conspirando
para se falar em saudade, em beleza, talvez até, se fazer
um estudo sociológico (tem gosto pra tudo!).
Mas não vi nada disso. Ou melhor, vi tudo isso, mas como
uma máquina fotográfica, que quando enfoca um assunto,
deixa os demais sem nitidez, enfoquei somente a moça
ensimesmada, dialogando consigo mesma, sentada num degrau.


- Pôxa, tesco, tanta coisa apresentada e você se fixa num
só detalhe?


Ossos do ofício, meu caro Wats, digo Álter.
Porém não me amarrei a um aspecto triste ou melancólico.

Resolvi, pelo contrário, fazer uma brincadeira, ancorado no
que me sugeriu a palavra 'ensimesmada'.


Elenquei notas musicais e termos de música, embora em
pequena dose, pois o poema teria que ser pequeno.
 

TARDE MUSICAL
tesco
(2014.09.01)

Entorpecida
Sentada nos degraus
Como sem vida
Perguntam-me sobre ela:
- Che cosa FA?
Respondo aborrecido:
- Está enSImesmada
pois as nuvens vêm de LÁ
encobrem o SOL
escurecem o dia sem DÓ
e a tornam RÉ
do crime de amar.
 
Uma brisa sopra-lhe no ouvido:
- Não é crime GRAVE
mantenha o TOM!
Mas ela entristecida

SOLFEJA a mesma ÁRIA:
- É tarde.... É tarde...
* * *
- Sei não. Vocè está brincando com os poemas dos outros.

E qual é o problema? Se os grandes brincam, porque um
pequenino como eu não pode brincar?
Além disso, Shirley não reclamou, quem é você que não
sabe o que diz? Ôpa, isso é de Noel! Quem é você pra me
recriminar?

Abraço do tesco.

3 comentários:

Denise disse...

É lindo ver poemas bem humorados, que nos deixam estasiados, pensando como pode uma pessoa ter uma ideia tão genial e transformá-la em palavras. Só alguém que tem o dom para isso. Essa pessoa é vc, Tesco. Adorei! Muita paz!

ॐ Shirley ॐ disse...

Querido amigo, você é bastante inteligente e esperto, o que mais posso lhe dizer rs?
Já estou no Asfalto...
Beijos!

Anônimo disse...


Ah que seria do mundo sem musica e sem poesia?
Isso que dá beleza à nosso vida sutil!
hiscla