TRADUTOR

English French German Spain Italian Dutch Russian Portuguese Japanese Korean Arabic Chinese Simplified

domingo, 3 de agosto de 2014

ANALISANDO LETRAS-13

FANTOCHE

Analisemos agora - algo nunca visto neste blog - uma letra da 
autoria de... Adelino Moreira! 

- Ahá! O fanzoco do Adelino ataca novamente! Por que você 
não muda logo o título da série para "Analisando Adelino"?

Também não é assim, Álter, até agora só vimos três músicas 
do Adelino, e uma delas em conjunto com outras duas de 
mesmo tema. Além disso, não sou tão fã assim como você 
insinua, pois não aprecio justamente suas composições mais 
conhecidas, como Negue, A volta do boêmio, Meu dilema, 
Escultura, Deusa do asfalto, Flor do meu bairro, e Devolvi. 
Que fanzaço é este? 

- Mas por que volta ao Adelino com tanta presteza, então? 

Porque é uma ocasião oportuna, pois na análise mais recente 
vimos "Revolta", de 1959, e sgora vamos analisar "Fantoche", 
de 1960, que se trata, basicamente, da mesma melodia. 

- Um plágio? 

Claro que não, sendo do mesmo compositor, pode-se falar em
variação, não em plágio. Deve ser o mesmo caso da relação 
entre Asa branca e Assum preto, esta de Luiz gonzaga, e 
aquela, assumida por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira (há 
reservas). Diz-se que Assum preto é variação em tom menor 
de Asa branca. 

- Como é isso? Explique. 

Não, não posso exlicar porque não entendo de cmposição 
musical. Entendi apenas que o tom menor é usado para as 
composições mais lentas (ou mais "tristes") que a partitura 
em tom maior. 

- Peraí! Você falava de composições, agora fala de "partitura". 
Que bagunça é essa? 

Ah, sim, desculpe. Esqueci que com você tenho que ser bem 
didático. Partitura é a "letra" musical, escrita pra quem toca 
o instrumento, ou pra quem vai aprender a melodia. Certo? 

- Ah, bom. "Fale em jangada, que é pau que aboia". 

Então, basicamente, é" isso: Fantoche" é a melodia já usada 
em "Revolta", com outra letra. Veja como ficou. Pode 
acompanhar a gravação de Nélson Gonçalves, clicando no 
título da música: 

FANTOCHE
Adelino Moreira

"Quanto mais longe dos teus olhos, meu amor 
Mais me atordoa o calor desta paixão 
Estava certo em sua frase o inventor 
"Longe dos olhos e perto do coração" 

É na distância que doi mais a dor do amor 
E se esse amor não foi apenas amizade 
A gente chora a nossa mágoa, a nossa dor 
Num labirinto de tristeza e de saudade. 

Tenho em meus olhos a visão da tua imagem 
Sou um fantoche que a solidão apavora 
Tento abraçar o teu vulto e é só miragem 
Me atormentando, dia e noite a toda hora 

De ti distante, vivo triste e a meditar 
Nos separamos, mas não posso compreender 
Porque razão choraste tanto, ao me deixar 
Porque razão eu chorei tanto, ao te perder..." 

   *   *   *   

Creio que, sendo "Revolta" gravada em 1959, e "Fantoche", 
em 1960, a letra de "revolta" foi composta primeiramente. 
E, acredito, vendo que a melodia tinha potencial, Adelino 
agregou-lhe outra letra, mais sentimental e menos hedonista, 
digamos assim, de vez que a nova letra não faz menção aos 
atributos físicos da amada, salientando apenas as emoções 
e os sentimentos mais nobres. 

O que podemos observar é que o 5º verso afirma: 
"É na distância que doi mais a dor do amor", 
e isso é apenas um ponto de vista. O Ladislaus von Tescus, 
pseudo autor do soneto "DESTINO"por exemplo, pensa ao 
contrário disto, quanto mais distante, menos doi. 
É algo para se discutir. 

Porém, fica o mistério: Se eles, ao que parece, se gostavam 
tanto, por que se separaram? 
Bem, se o compositor não sabe, eu menos ainda! 
De toda forma, esta letra é muito mais suave e menos "raivosa" 
que a letra de "Revolta", e por isso, eu a considero mais 
romântica, desconsiderando que o romantismo tenha que ter, 
forçosamente, um desfecho trágico. 

Abraço do tesco. 

3 comentários:

ॐ Shirley ॐ disse...

Olá, tesco, quando eu era jovem ( dureza ter que dizer isso rs) e meu pai cantava essas músicas, claro que eu achava romântico, ao som do violão, mas, eu não curtia os cantores daquele tempo...Mas, hoje, reconheço a voz límpida e bonita do Nelson e de tantos outros, por exemplo. Constatamos que aqueles cantores tinham potencial de voz e que as letras das músicas faziam sentido, eram feitas de versos poéticos, já hoje...
Ah! Chama logo um pedreiro rs e conserta o reboco do seu muro, tá? ...

tesco disse...


Never!
Brecha providencial essa! Rerrerré!
Beijos.

Denise disse...

Vc falou de um fato que me chamou a atenção, por que os dois choraram com a separação? Então que não se separassem. Muita paz!