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domingo, 27 de julho de 2014

CONTRARIANDO LOCKE

Há muito tempo que me sinto incomodado pela conversa que 
rola por aí, em que afirmam que a cor dos objetos não é uma 
propriedade dos objetos, mas da luz, pois na ausência da 
luz não se veem cores. 

É verdade que não vemos cores sem o auxílio da luz, mas a 
cor dos objetos e, na verdade, a reflexão prioritária de certa 
faixa das ondas eletromagnéticas que incidem nesses objetos, 
e, portanto, uma propriedade dos objetos. 

Dizer que a cor não é do objeto equivale a dizer que não é 
propriedade de um espelho refletir a luz, mas faz parte da 
própria luz. Ora, se não há incidência de luz, o espelho não 
reflete, mas se houver, a luz é refletida, isto é, sofre a ação. 
Uma superfície transparente a luz atravessa, uma suerfície 
opaca e rugosa, a luz nem atravessa nem é refletida, fica 
então evidente que a propriedade é da superfície, não da luz. 

Agora, a diferenciação de determinadas faixas de ondas por 
seres humanos, denominando-as de 'cores', essa sim, é uma 
característica de quem percebe a radiação. Creio que tudo 
se resume a uma questão linguística: Chamamos 'cor' a uma 
porção do espectro eletromagnético, delimitado por bem 
definidos valores de frequência e comprimento de onda. 
Diferentes valores provocam diferentes sensações nos órgãos 
apropriados para recepção dessa radiação (olhos). 

Até a Wikiedia faz confusão com isso. depois de acertada 
introdução, bem definindo o conceito de cor: 
"A cor de um material é determinada pelas médias de 
frequência dos pacotes de onda que as suas moléculas 
constituintes refletem",  
explica, alguns tópicos abaixo, que: 

"...ela [a cor] não corresponde a propriedades físicas do 
mundo mas sim à sua representação interna, em nível 
cerebral. Ou seja, os objetos não têm cor; a cor 
corresponde a uma sensação interna provocada por 
estímulos físicos de natureza muito diferente que dão 
origem à percepção da mesma cor por um ser humano". 

Provavelmente você não entendeu a explicação (eu não 
entendi), e captou apenas a expressão: 
"os objetos não têm cor", 
e ficou atrelado ao conceito comum e corrente.  

Esse conceito - fiquei a par lendo o mamual do blefador, 
colocado em sorteio aí embaixo - é decorrente das 
elucubrações do filósofo inglês John Locke. No manual lê-se: 

"John Locke (1632-1704) achava que os objetos têm duas 
espécies de atributos: 
1- Qualidades primárias - como extensão, solidez, número - 
que são consideradas inseparáveis dos próprios objetos e 
inerentes a eles; e, 
2. Qualidades secundárias - como cor, sabor, cheiro - que 
parecem estar no objeto, mas estão de fato no percipiente."  

Pronto! Ficou definida a questão: O inglês falou! 

No meu humilde pensar não é assim não. 
Tanto a cor faz parte do objeto que, retirando e repondo a 
fonte de luz, a cor verificada no objeto é a mesma. Poderia, 
no intervalo escuro, ter mudado, de azul para vermelho, 
digamos, mas não, mantém-se fiel ao seu partido (o que não 
acontece com muito político). 

O mesmo poderá ser dito para as outras "qualidades 
secundárias" de Locke. 

O sabor não passa de reações químicas geradas no contato 
do objeto com a língua e, evidentemente, as reações darão 
resultados semelhantes para objetos semelhantes, isto é, não 
são propriedades subjetivas, mas dependentes dos objetos 
fornecidos, portanto, propriedades deles. 

Também o cheiro se encaixa no mesmo caso: É o encontro 
de moléculas do objeto com órgãos sensitivos dos animais 
(humanos, inclusive). As coisas têm "assinatura", quer dizer, 
algumas moléculas componentes do objeto são ejetadas e 
se espalham pelo ar. Isso vai depender da facilidade que as 
moléculas tenham em se desprender do total da massa. Um 
pão quentinho expede muito mais moléculas que uma barra 
de ouro, por isso se sente "um cheirinho bom de pão", mas 
não "um cheirinho bom de ouro". 

Temos, porém, que dar um devido desconto a Locke, ele não 
tinha a menor condição de ter esse conhecimento em sua 
época, as descobertas e teorias da química e da física ainda 
iriam fazer sua estréia. Suas ideias, contudo, ainda parecem 
fazer prosélitos. 

Abraço do tesco. 

6 comentários:

Clara Lucia disse...

ixi... li tudinho. Melhor não comentar, Tesco, muita informação... rsrsrs
Deixa os objetos lá com sua cor e pronto! rsrsrs
Boa semana! Beijos

ॐ Shirley ॐ disse...

Querido tesco, agora você vai ficar ainda mais incomodado , com outra "conversa que rola por ai"... Sabia (acho que sim ) que o som não existe se não tiver dois ouvidos para registrar o fato? Isto é, uma árvore cai numa floresta e se não tiver dois ouvidos (claro, juntamente com o seu dono rsrs) presentes, o som não existe. É difícil imaginar isso, mas, aprendi de fonte super fidedigna que é a Ordem Rosacruz-AMORC.
Beijos!

Anônimo disse...


Meu querido, não me meto nesses assuntos...apenas leio e fico a pensar. Acredito que ninguém detém a verdade, o saber esta sempre esta a caminho.Gosto de ver pontos diferentes!
Hiscla

ॐ Shirley ॐ disse...

Nossa! tesco...Assim você me mata!!! rsrs
Beijos!

Denise disse...

Nossa, Tesco, agora vc foi fundo mesmo! Conceitos da física nunca foram o meu forte, aliás é meu ponto fraco, e muito fraco. Muita paz!

tesco disse...


Isso mesmo CLARA, "Deixa os objetos lá com sua cor e pronto!"
Que mania as pessoas têm de tirar as cisas dos outros, né?
Beijos.
SHIRLEY, essa teoria deve ser devidamente entendida.
É como o que os ambientalistas falam sobre o clima:
"O bater de asas de uma libélula no Japão, pode influencias o clima da Europa".
É apenas uma metáfora.
O som, sendo vibração das moléculas do ar, não vai ser alterado
pela presença ou ausência de quem os ouça.
A frase quer significar, creio eu, que a essência dos fenômenos
(macroscópicos) não é alterada pelos desejos humanos (unicamente
pela sua atuação).
Quanto aos poemas, não morra ainda não, espero que ainda venha mais,
de acordo com sua lavra poética, que é fecunda.
Quero lhe matar de prazer (literário, rerrerré!) muitas vezes mais!
Beijos.
Certo, HISCLA, ninguém detém a verdade, a não ser os ingleses,
naturally pela óptica deles.
Beijos.
DENISE, nossos pontos fracos também dão indicação
de onde devemos desenvolver nossas habilidades.
A física é simples, desde que convenientemente explicada.
Eu, infelizmente, não possuo o dom de simplificar
as explicações, então...
Vamos parar por aqui mesmo, antes que eu me enrole mais!
Risos.
Beijos.