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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

BOBAGENS LINGUÍSTICAS-17


SANGUENTO

Estava eu a ler o "Diccionário de João Fernandes", de 

Francisco Gomes de Amorim, datado de 1878, que é um 
texto apenas jocoso, embora muito de sua graça tenha se 
perdido com o tempo, quando me deparo com o verbete 
'SANGUENTO', para o qual foi dado o seguinte conceito: 

"É assim que eu amo o beef e que os conquistadores 
amam os povos". 

Aí é que percebi que ele se referia a 'sangrento', como 
denotam os dicionários online:
"SANGUENTO - 

Coberto de sangue; ensanguentado; sangrento:". 
Note-se que a etimologia cita como fonte, o termo latino 
'sanguinentus', sem nenhum 'r' portanto, variação que 
deve ter vindo do espanhol 'sangre'. 

 Pelo menos para mim, a palavra 'sangue' passa uma 
sensação de calma, de passividade, enquanto 'sangre' 
dá a imoressão de agitação, de força. Será essa a causa 
da preferência popular por "sangrento" e "sangreira"? 


ALGUNS TERMOS MÉDICOS

Gosto de ler sobre etimologia, origem de palavras, por 

isso, baixei o livro "Dicionário etimológico termos 
médicos", deRicardo Santos Simões, Rafael de Lima e 
Maria Candida Pinheiro Baracat. Só depois de baixado 
é que notei o "termos médicos", mas resolvi encarar a 
obra assim mesmo. 

Ainda não concluí a leitura, mas, alguns verbetes me 
chamaram a atenção por sua pitorescidade., como estes: 

ALERGIA – do grego Allos, outro e, Ergon, trabalho. 
Esta palavra foi criada em 1906 por Pirquet. 
Creio que significa que "outro trabalho" é obtido quando 
se espera determinada resposta de alguma coisa, como , 
por exemplo, intoxicação de algo que se espera seja 
apenas alimento. Sendo um "trabalho a mais", já sinto 
uma natural alergia! Aff! 

ANEMIA – do grego 'a', privativo; 'haima', sangue, e 'ia', 
estado. O vacábulo é impróprio, como se vê, pois significa 
“ausência de sangue” e é empregado com a significação 
de “falta parcial de sangue”. 

ANENCEFALIA – do grego An, sem, Enkephalos, encéfalo. 
Aqui não é dada a mesma explicação anterior, mas a 
inadequação do termo é a mesma, pois a anencefalia é 
sempre parcial, não se tratando de total ausência de 
cérebro. 

ANTRO – do grego Antron e do latim Antrum, cavidade, 
espaço oco, caverna. Não confundir com Atrium ou Aditus 
que eram compartimentos da casa romana. A palavra em 
português tem sentido de covil, refugio de salteadores, 
ladrões, porque em Roma antiga os malfeitores abrigavam-
se em cavernas, que eram sempre mal afamadas. 
Ou seja, o hábito fazendo o monge. 

ARTÉRIA – do grego Era, ar e Terein, conservar, guardar. 
Os gregos antigos acreditavam que as artérias conduziam 
o ar. Hipócrates chamava “artéria” à traquéia e árvore 
bronquial e “flebos” aos vasos, mas os anatomistas gregos 
antigos acreditavam que as artérias continham ar e as 
veias, sangue, pelo fato de que às dissecações, aqueles 
vasos mostrarvam-se vazios. Somente no século XVII, os 
trabalhos de Miguel Servetto, Realdo Colombo, Fabrizzio 
D`Àcquapendente e William Harvey demonstraram 
claramente a circulação sanguínea nas artérias. 
A força do "pré-conceito" prevalecendo sobre o fato. 

AUTÓPSIA - do grego Autos, própria, e Opsis, olhar. 
O primeiro termo a ser utilizado foi necrópsia, onde os 
cirurgiões barbeiros realizavam a dissecação do corpo 
humano, e o médico apontava a estrutura. Com a 
realização das necrópsias pelos próprios médicos 
passou-se a designar autópsia. 
Curioso é que, até a década de 60 (talvez 70), "autópsia" 
era o termo comumente utilizado pela mídia e, sem aviso 
algum, passou a utilizar-se "necrópsia". Terá sido uma 
imposição dos Conselhos de Medicina?  

BAÇO – do latim Opacius ou Opacus, opaco, escuro, sem 
brilho. Em latim, a palavra para este órgão era Lien, no 
Grego Splien, mas a língua portuguesa não a adotou. A 
designação do órgão abdominal provavelmente originou-
se da sua coloração. 
Quer dizer, a discriminação pela cor era a regra. 

BARBA – do latim Barba, barba. Na antiga Roma, o 
barbeiro era chamado de barbatensius. Na idade média, 
os barbatensius, não tinham formação acadêmica, eram 
treinados para executar atos considerados abomináveis 
para o médico formado (sangrias, drenagem de abcessos) 
e barbear os frades e monges, proibidos de deixar crescer 
a barba por um decreto papal de 1092. 
Na Inglaterra, somente em 1745, os barbeiros foram 
separados dos cirurgiões, que passaram a ter formação 
acadêmica. 
Como se vê, o elitismo na classe médica não é coisa nova. 

Futuramente trarei, decerto, mais algumas curiosidades 
extraídas desse dicionário. 

TIROLITO

Concluindo, por hoje, cito uma coisinha que sempre me 
iincomodou nas cantiguinhas infantis. 
São bem conhecidos de vocês, os versos: 
"Pirulito que bate bate 
Pirulito que já bateu 
Quem gosta de mim é ela 
Quem gosta dela sou eu". 

Sempre estranhei esse "pirulito" aí no meio, pois, que eu 
saiba, pirulito não é feito batendo-se alguma massa, nem, 
muito menos, pirulito bate em alguém. 

Lendo uma das "Balas de Estalo", de Machado de Assis, 
a de 8 de julho de 1885, encontrei a citação de 
"Tirolito que bate, bate,
Tirolito que já bateu", 
o que, imediatamente, coloca sentido na coisa: O tirolito, 
ou seja, um garoto natural da região do Tirol, batendo 
num tambor, é uma figura que faz sentido pra mim.  
Será que esta era a letra original da cantiga? 

Abraço do tesco. 

6 comentários:

Anônimo disse...

Interessantíssimo o seu post. Conhece a música infantil Garibaldi? Lá vai:



Garibaldi foi à missa
À cavalo sem esporas
O cavalo tropeçou
Garibaldi pulou fora

E viva Garibaldi
E Vitor Manoel
Comendo macarrão
Embrulhado num papel

O Rivone foi à missa
Num cavalo de corrida
Disparou logo na frente
Caiu logo de saída

E viva o Rivone
E toda macacada
Entrou nesse palpite
E acertou na cuculacha

Pois bem, no Rio cantávamos apenas as duas primeiras estrofes dessa maneira:

Garibaldo foi à festa à cavalo sem esporas. O cavalo tropeçou, Garibaldo pulou fora.

E viva Garibaldo, e viva Emanuel, comendo macarrão embrulhado no papel.

Veja bem, chamávamos Garibaldo e não Garibaldi. Ele não ia à missa e sim a uma festa. E chamávamos Emanuel e não Vitor Manuel. Até aí, nada demais, pois uma música que deve ter quase 200 anos se perde alguma coisa.

Só que eu vi "A Casa das Sete Mulheres" e tem uma cena que realmente Garibaldi caiu do cavalo indo a uma festa onde conheceu Manoela. Dizem que realmente isso aconteceu. Legal, né?

Anônimo disse...

Outra: Eu sou pobre, pobre, pobre de marré, marré, marré. Eu sou pobre, pobre, pobre de marré deci.

Em Paris existe um bairro chamado Marais cujos moradores são em sua grande maioria judeus ou gays. Antigamente era um lugar muito pobre, principalmente a parte de baixo. Esse pedaço do bairro se chama Marais Dessus, ou seja, marre deci.

Beijotescas

Anônimo disse...

Interessante! muito interessante!
hiscla

Denise disse...

Uau! Estou atônita com todos esses termos. E como bem pontua vc, as vezes o sentido da palavra não condiz com o uso que lhe damos.
Devo confessar que tb ficava intrigada com o pirulito da música e sua explicação, aí sim, faz sentido.
Muita paz!

tesco disse...

Excelentes contribuições, Yvonne, é plenamente compreensível, as crianças preferem as coisas concretas às abstrações, mesmo que não faça sentido. "O que será um tirolito? N será pirulito?".
As adaptações à realidade local são bem plausíveis.
Beijos.
Denise, criança engole toda a informação que lhe é passada e muita coisa fica na memória, mesmo que não digerida/erntendida.
Por isso "Hoje é Domingo / pé de cachimbo" persiste no entendimento de muita gente, inclusive tenho livro de parlendas com essa grafia, quando o "pede cachimbo" é a lógica.
Beijos.

Margot disse...

Então...eu vim ver quem é que acha que sou uma "belezura".... rsrrs.
tesco, gracias pelo elogio, mas fotografia engana muito.... e sim, eu cai da bacia. No meu tempo não era banheira...era bacia mesmo..
Mas, que mulher se acha bonita o suficiente??? De qualquer maneira... mais uma vez, obrigada.
Eu volto.
abraços