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quinta-feira, 2 de abril de 2015

CONTRACANTO: "ET SERA TAMEN"

Caso curioso aconteceu na primeira semana de março, quando 
Shirley postou seu poema semanal. Fantasiava sobre seus 
"momentos finais" e visualizou "a rosa vermelha que me deste".

Pudera! Depois de estar "Com a mente exausta", e depois de 
um "enveneno-me" e um "Engulo" (provavelmente cápsulas
de 
cianureto), tinha mais é que morrer mesmo! 

Isso ao lado de rememorações de "deslizes do espírito" e de 
sinistras previsões como "morrerei enfeitiçada". Sabe-se lá 
por onde pairava o espírito dessa jovem... 

Anda por cima (sim, é o título) o poema é chamado de 
"Libertação". pode uma coisa dessas? Veja o epitáfio, digo, 
o poema: 

LIBERTAÇÃO
Shirley
(2015.03.07)

"Com a mente exausta 
de senhas e de sonhos 
percorro os escaninhos do tempo 
e enveneno-me com o sangue das manhãs. 
Engulo os minutos que escorrem lentos 
transmutando com fogo imaginário 
os deslizes do espírito 
enclausurado na carne viva da existência... 
Sei que morrerei enfeitiçada pela saudade 
numa hora qualquer de um dia singular. 
Quando o  momento chegar 
lembrarei 
da rosa vermelha que me deste 
e no derradeiro instante 
com a visão interior 
vê-la-ei deslizar 
na luz incrédula do teu olhar..." 

   *   *   *  


Aí ocorre o inesperado. Em lugar de me extasiar com a poesia 
das metáforas inusitadas, com a metafísica embutida nas suas 
expressões, com o romantismo das suas imagens, fixo a visão 
em apenas uma declaração: "da rosa vermelha que me deste".

Minha imaginação "compulsivo-obssessiva" não se refreia para 
apreciar a poesia do momento, antes visualiza o efeito que 
acarreta em um marido fiel, ouvir de sua amada, nos instantes 
finais de sua existência (dela), a lembrança de uma flor que 
ele nunca lhe ofertou! 

Não sei se o espírito Nelson Rodrigues estava perto de mim, 
mas a revelação chocante, para esse personagem, levou-me 
a construir esse poemeto abismado: 

QUE ROSA?
tesco 
(2015.03.07) 

Fui teu amante fiel 
Nunca colhi uma flor 
- Bravo heroi em seu corcel - 
Que não me deste co'amor 

E sempre fui pleonástico 
Me contentava jamais 
Nesse roteiro fantástico 
De complicados finais 

Assim flores te levava 
Lírio, orquídea, jasmim... 
Sabendo que duplicava 
Belezas do teu jardim 

Porém, coisa curiosa 
Dentre as flores escolhidas 
Nunca levei uma rosa, 
Nem cravo nem margarida 

Era ardente defensor 
Sempre zeloso e sédulo 
Eis a razão do horror 
Desse meu olhar incrédulo! 

   *   *   *   

Graças a Deus, nossa amiga poeta conserva grande senso de 
humor, e não fechou a cara devido aos meus devaneios. 
Recebi uns dias depois, este e-mail (trecho reproduzido aqui 
sob permissão) bem hmorado: 

"Se eu tivesse percebido que você havia me comparado com 
Capitu, certamente eu teria lhe dado um "Bom (Cas) murro 
bem no meio da cara! 
Você me chamou de vadia no seu poema. E "divulgou pelas 
redes sociais", que eu tinha vários amantes e que não foi você 
quem me deu a rosa... Poxa! Não me poupou, nem depois de 
morta." 

Pois é, reitero minhas desculpas aqui. Porém, eu não podia 
perder a oportunidade de retratar o que tinha visto na minha 
tela imaginativa: A perplexidade de um marido descobrindo-se, 
mesmo "tardiamente, contudo" (título do post), um "corno bem
corneado", com rosas e tudo! 


Porém, o legal é que, ao final, ela me perdoa, além de ter 
explicitado isso, ainda diz: 
"que bom, nas poesias, tudo a gente pode...". 

Isso me faz lembrar a polêmica musical travada entre Ataulfo 
Alves, com composições suas, e Carmem Costa,  com músicas 
de Mirabeau e outros compositores, travada nos anos 50. 
A "rixa" termina com os contendores cantando juntos: 
"Tudo isto é brincadeira, nosso negócio é o samba". 

De igual modo podemos parodiar a polêmica musical, 
recitando: 
"Tudo isso é fantasia, 
nosso negócio é poesia!"

Abraço do tesco. 

4 comentários:

ॐ Shirley ॐ disse...

Não sei o que dizer, tesco, pois, estou rindo muito...
Que fartura de ideias tem você! Vê detalhes que eu mesma, às vezes, não percebo. Você é muito perspicaz, gosto disso rs.
Beijos!

CÉU disse...

Depois de muito me rir, porque sua douta, incrível e bem humorada imaginação, consegue pôr todo mundo bem disposto.
A Shirley é uma senhora, uma talentosa poetisa e sabe muito bem "pisar" e "sambar" nessa vida.
Meus parabéns aos dois.

Feliz e doce Páscoa, tesco!

Anônimo disse...

Tesco, vocês estão fazendo uma super dupla.
Beijotescas rindo

Anônimo disse...


Tesco,
Tenho um amigo que sempre me diz: "o importante é a rosa". rsrs
E parece que é isso mesmo, não é?
kkk
hiscla