ENQUANTO
Apenas como curiosidade, pinçamos um pequeno trecho de
"O castelo", de Franz Kafka. Em certa altura do romance,
Kafka faz um personagem falar assim:
"...naturalmente exagero um pouco porque posso exprimi-lo
enquanto exagero".
Naturalmente, digo eu agora, o segundo 'exagero é verbo,
pois a moda do 'enquanto' ainda não tinha surgido, mas hoje,
esse modo de escrever encerraria uma dubiedade. Seguindo
o esquisito modo de falar atual, o segundo 'exagero' poderia
ser, perfeitamente, um substantivo, o que redundaria em não
significar nada.
Mas é esse o "espírito da época", falar não significa dizer, e
parece que é essa mesmo a intenção: Falar muito e dizer pouco.
MUDANÇAS NA LÍNGUA
Em "Tales of space and time", escrito em 1900, . G. Wells, no
conto "A story of the days to come", faz a seguinte previsão
para 200 anos no futuro:
"In spite of the intervening space of time, the English
language was still almost exactly the same as it had been
in England under Victoria the Good. The invention of the
phonograph and suchlike means of recording sound, and
the gradual replacement of books by such contrivances,
had not only saved the human eyesight from decay, but
had also by the establishment of a sure standard arrested
the process of change in accent that had hitherto been so
inevitable."
O que se lê, pela tradução 'tescal':
"A despeito do intervalo de tempo decorrido, a língua inglesa
era ainda quase exatamente a mesma que tinha sido na
Inglaterra no tempo da Rainha Victoria. A invenção do
fonógrafo e meios similares de gravação de sons, e a gradual
substituição dos livros por essas contribuições, tinha não
somente salvo a visão humana do declínio, mas tinha também,
pelo estabelecimento de um efetivo padrão, detido o processo
de alterações de pronúncia que até então tinha sido inevitável."
A ficção científica ganhou fama de fazer previsões acertadas,
mormente devido às obras de Jules Verne, embora não seja
esse o objetivo visado. Porém, vemos aqui uma ocorrência
completamente oposta: Nem se concretizou e parece que não
se concretizará nunca.
As línguas são organismos vivos (as faladas) e, assim sendo,
nenhuma simples regulamentação vai parar seu movimento.
Continuarão em seu processo de mudanças enquanto forem
utilizadas, permanecer estático é característica do que está
morto.
Abraço do tesco.
domingo, 16 de agosto de 2015
sábado, 15 de agosto de 2015
SORTESCO 358
CRÔNICAS MARCIANAS
de RAY BRADBURY
Este é o grande clássico de Ray Bradbury. E Bradbury, quem é?
Apenas um escritor de ficção científica? Não. Embora se rotule
a obra dele como ficção científica, é apenas uma rotulação.
Seus textos transcendem qualquer rótulo, embora ambientados,
frequentemente, em exploração espacial e, neste caso, em
outro planeta. Além da parte tecnológica e uma dose de fantasia,
enfoca os sentimentos humanos com sensibilidade e uma pitada
de poesia. Ler Bradbury nos transporta facilmente a outras
dimensões, mesmo tocando apenas assuntos terra-a-terra.
Volume um tanto manchado e endurecido, com 190 páginas.
INSCREVA -SE ASSIM:
Escolha apenas UMA dezena, AINDA DISPONÍVEL,
entre 00 e 99, e indique sua escolha nos comentários.
Sua opção será válida ATÉ às 17 horas do dia do sorteio.
O sorteio (item 2 do Regulamento) será em 22/08/2015.
SORTESCO 357 - RESULTADO
A dezena sorteada hoje foi 57,
e a opção vencedora é de:
GLEIDSON MENESES!
Parabéns!
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
CONTRACANTO: AIS DA TARDE
Sábado passado Shirley invectivou contra a tarde: A tarde
estava demorando muito a passar. Tudo bem, às vezes ocorre
isso mesmo, alguma coisa que ansiamos não chega e o tempo
se arrasta.
Não chovia, não fazia frio nem calor excessivos, não havia um
ruído irritante. Não, Shirley não se queixou de nada disso.
Apenas o tempo demorava a passar. O que há por trás disso?
A espera.
Não foi especificado o objeto da espera, mas a espera de
algum evento que mude nosso destino é sempre exasperante.
E quando tudo depende de alguém que tarda, a aflição toma
conta.
Pode ser um juiz, um advogado, uma testemunha, o diretor
da empresa, um professor... Não importa quem, há sempre
um reboliço em nossas emoções.
Mas quando se trata do ser amado... Ah!
Aí é quando qualquer formiga se transmuta em um dragão!
Contamos os nós num pingo d'água, vamos até onde o vento
faz a curva e voltamos num segundo, o mundo se acaba
várias vezes... E ele/ela não aparece!
Nesses momentos não é aconselhável passar perto da Shirley,
ela pode errar o alvo. Leia o poema:
TARDE
Shirley
(2015.08.08)
"Estaciono o carro
no meio-fio do silêncio
e o vento audacioso de agosto
desafia um gato que passa
se esgueirando pelo muro rebocado
pintado de cores sujas.
Nada é definitivo
nem essa espera
nem essas horas de asas trincadas.
Eu só preciso
de um nutriente essencial
para dar um ponta-pé
nessa tarde que custa a passar..."
*** *** ***
Ocupado em exames médicos, somente ontem pude atentar
ao poema, e minha focalização caiu exatamente nessa espera
do ser amado. Incorporei imediatamente o personagem que o
poema da Shirley sugere, e eis-me esperando Godot não, digo
melhor, Godeia.
Nessa situação, os macaquinhos brincam livremente no sótão,
e fantasmas e sombras diversas se aproveitam pra soprar suas
infaustas e nefastas sugestões. As perspectivas para o futuro
se enegrecem rapidamente e
"nada é divino, nada é maravilhoso".
Vejam a confusão instalada:
AIS
tesco
(2015.08.12)
Nada é definitivo
Nem mesmo essa longa espera
Se fosse amena, quem dera!
Porém tudo é aflitivo
Quando eu voltava ela ia
E não a encontro jamais
A sanha de saber tudo
Que duramente me assanha
Faz renascer velha manha
Que vai me deixando mudo
Em meio a formas sombrias
E proezas fantasmais
Ando todo estonteado
Não acho uma rota certa
Ao destino de poeta
Já me vejo condenado
Sem topar com alegrias
Mas recheado de ais
E em meio ao vento forte
Onde o sol jamais me brilha
A devassar uma trilha
Não encontro sul nem norte
Somente pausa queria
Nessas penas colossais."
*** *** ***
O consolo é justamente a realidade do primeiro verso:
Nada é definitivo!
Pois sabemos que "não há mal que sempre dure,
nem bem que nunca se acabe".
Abraço do tesco.
estava demorando muito a passar. Tudo bem, às vezes ocorre
isso mesmo, alguma coisa que ansiamos não chega e o tempo
se arrasta.
Não chovia, não fazia frio nem calor excessivos, não havia um
ruído irritante. Não, Shirley não se queixou de nada disso.
Apenas o tempo demorava a passar. O que há por trás disso?
A espera.
Não foi especificado o objeto da espera, mas a espera de
algum evento que mude nosso destino é sempre exasperante.
E quando tudo depende de alguém que tarda, a aflição toma
conta.
Pode ser um juiz, um advogado, uma testemunha, o diretor
da empresa, um professor... Não importa quem, há sempre
um reboliço em nossas emoções.
Mas quando se trata do ser amado... Ah!
Aí é quando qualquer formiga se transmuta em um dragão!
Contamos os nós num pingo d'água, vamos até onde o vento
faz a curva e voltamos num segundo, o mundo se acaba
várias vezes... E ele/ela não aparece!
Nesses momentos não é aconselhável passar perto da Shirley,
ela pode errar o alvo. Leia o poema:
TARDE
Shirley
(2015.08.08)
"Estaciono o carro
no meio-fio do silêncio
e o vento audacioso de agosto
desafia um gato que passa
se esgueirando pelo muro rebocado
pintado de cores sujas.
Nada é definitivo
nem essa espera
nem essas horas de asas trincadas.
Eu só preciso
de um nutriente essencial
para dar um ponta-pé
nessa tarde que custa a passar..."
*** *** ***
Ocupado em exames médicos, somente ontem pude atentar
ao poema, e minha focalização caiu exatamente nessa espera
do ser amado. Incorporei imediatamente o personagem que o
poema da Shirley sugere, e eis-me esperando Godot não, digo
melhor, Godeia.
Nessa situação, os macaquinhos brincam livremente no sótão,
e fantasmas e sombras diversas se aproveitam pra soprar suas
infaustas e nefastas sugestões. As perspectivas para o futuro
se enegrecem rapidamente e
"nada é divino, nada é maravilhoso".
Vejam a confusão instalada:
AIS
tesco
(2015.08.12)
Nada é definitivo
Nem mesmo essa longa espera
Se fosse amena, quem dera!
Porém tudo é aflitivo
Quando eu voltava ela ia
E não a encontro jamais
A sanha de saber tudo
Que duramente me assanha
Faz renascer velha manha
Que vai me deixando mudo
Em meio a formas sombrias
E proezas fantasmais
Ando todo estonteado
Não acho uma rota certa
Ao destino de poeta
Já me vejo condenado
Sem topar com alegrias
Mas recheado de ais
E em meio ao vento forte
Onde o sol jamais me brilha
A devassar uma trilha
Não encontro sul nem norte
Somente pausa queria
Nessas penas colossais."
*** *** ***
O consolo é justamente a realidade do primeiro verso:
Nada é definitivo!
Pois sabemos que "não há mal que sempre dure,
nem bem que nunca se acabe".
Abraço do tesco.
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
SORTESCO D 09
CD MEIO SÉCULO DE MÚSICA vol. 7
COLETÂNEA EDITORA EUROPA
Nesta coleção oferecida pela revista Natureza (ano 2000?),
como acontece em todas as coleções do tipo, preponderam
as músicas norte-americanas. Acredito que nem tanto por sua
qualidade musical, mas pela força da mídia e pela vendagem
de discos. Se não, como explicar a presença de 'Mony, mony',
'Da doo ron ron' ou 'Wooly bully' por aqui? Afora estas, não
tão grandes excrescencias, o repertório apresenta boas
músicas como se pode ver na lista de faixas:
1. Earth Angel (Belvin)
The Penguins - 2:54
2. Something (George Harrison)
Shirley Bassey - 3:28
3. Bilits (Francis Lai)
The London Starlight Orchestra - 3:42
4. All I Ask Of You (Andrew Lloyd Webber)
London Philharmonic Orchestra & Singers - 4:13
5. Ne Me Ouite Pas (Jacques Brel)
Bernard - 3:45
6. I Am What I Am (Herman)
Shirley Bassey - 3:07
7. Careless Love (Ray Charles)
Ray Charles -2:58
8. Da Doo Ron Ron (Greenwhich/Barry/Spector)
The Crystals - 2:20
9. Oh Girl (Paul Young)
The Chi-Lites - 3:30
10. If I Had a Hammer (L. Hays / P. Seeger)
Trini Lopez - 2:59
11. Wooly BulIy (Domingo Samudio)
Sam The Sham and The Pharaohs - 2:21
12. Mony Mony (B. Gentry / B. Bloom / R. Cordell / T. James)
Tommy James & The Shondells - 2:52
13. Oh, Carol! (Greenfield / Sedaka)
The Diamonds - 2:04
14. Bom To Be WIId (Mars Bonfire)
Steppenwolf - 3:28
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entre 00 e 99, e indique sua escolha nos comentários.
Sua opção será válida ATÉ às 17 horas do dia do sorteio.
O sorteio (item 2 do Regulamento) será em 19/08/2015.
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
SORTESCO 357
CAMINHOS
EMMANUEL
psicografia CHICO XAVIER
Livrinho (9x13 cm, 64 páginas) com abençoadas mensagens
de Emmanuel. Como essa:
ESPECIAL
"De grande significação reconhecer que
muito mais importante, para qualquer de nós na vida,
não é bem aquilo que sucede,
mas justamente aquilo que fazemos acontecer."
CENTELHAS
EMMANUEL
psicografia CHICO XAVIER
Livrinho (9X13 cm, 96 páginas) com mensagens mais longas
do iluminado benfeitor. Pequeno trecho:
"No caminho da vida,
há que se aprender com a própria vida".
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entre 00 e 99, e indique sua escolha nos comentários.
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O sorteio (item 2 do Regulamento) será em 15/08/2015.
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