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domingo, 4 de setembro de 2016

O GRANDE USURPADOR

O "discurso final" do filme " O grande ditador", teoricamente,
não deveria ter relação com a atualidade, afinal, já se passaram 
76 anos!

Porém, as forças maléficas não dormem. Sempre estão 
insuflando o ódio e procurando avivar o que existe de pior 
nos seres humanos. 

Em vista disso, o citado discurso continua tão atual quanto o 
era na época de sua confecção.E, infelizmente, nós, brasileiros, 
estamos fazendo parte dessa rotina. 

Releiam o discurso e vejam por si mesmos: 

"Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é 
esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar 
quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – 
judeus, o gentio... negros... brancos. 

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres 
humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do 
próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de 
odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço 
para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as 
nossas necessidades. 

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, 
porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos 
homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e 
tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e 
os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos 
sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que 
produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos 
conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, 
empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos 
bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de 
humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos 
de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de 
violência e tudo será perdido. 

A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria 
natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do 
homem... um apelo à fraternidade universal... à união de 
todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a 
milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de 
desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas 
de um sistema que tortura seres humanos e encarcera 
inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não 
desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é 
mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura 
de homens que temem o avanço do progresso humano. 
Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores 
sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de 
retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, 
a liberdade nunca perecerá. 

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos 
desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as 
vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias 
e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no 
mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação 
regrada, que vos tratam como gado humano e que vos 
utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! 
Homens é que sois! E com o amor da humanidade em 
vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem 
amar... os que não se fazem amar e os inumanos! 

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela 
liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está 
escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não 
de um só homem ou grupo de homens, ms dos homens 
todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder 
de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, 
tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de faze-la 
uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da 
democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. 
Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a 
todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à 
mocidade e segurança à velhice. 

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido 
ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que 
prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, 
porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o 
mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, 
ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, 
um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à 
ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, 
unamo-nos! 

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta 
os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que 
se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos 
entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os 
homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. 
Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e 
afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da 
esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!" 

(Charles Chaplin - 1940) 

Abraço do tesco. 

2 comentários:

Érika Oliveira disse...

Cobiça, ganância, inveja... Tudo isso reflete em ódio e desamor...

Anônimo disse...


Tesco, é um discurso muitissimo atual, mais que nunca!
É a grande tragédia humana..desamor e necessidade de poder
hiscla