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domingo, 11 de novembro de 2012

COMENTANDO O COMENTÁRIO

O CRISTIANISMO COMEÇOU MAL?

Comentando o post de 13 de setembro, onde concluí meu
pensamento sobre a atuação da Igreja Católica, Yvonne
escreveu:
"Quanto ao Cristianismo, tudo começou e continua muito mal.".
Cabe esclarecer a que começo Yvonne se refere:

Se o começo do Cristianismo começa com o Cristo, há então

uma contradição evidente: Como poderia começar mal uma
doutrina que prega amor, fraternidade, harmonia e paz?
Traição, tortura e assassinato aconteceram, mas não fazem
parte da doutrina, foram apenas percalços na difusão de uma
ideia nova. A terra dos homens é assim mesmo:
Nada de bom se espalha sem sacrifício.

Então começaram as interpretações, dissenssões e
separações. É algo triste de se ver, porém, nenhum
movimento conhecido se manteve homogêneo desde o
nascimento. A diversificação é inerente à razão humana, e é,
até mesmo, um mecanismo de se avançar no conhecimento
e entendimento de qualquer coisa.

Pode-se mesmo dizer que, se não existem divergências, ou
se  está numa etapa bem avançada do processo, ou a ideia
já morreu e os adeptos não perceberam. Normalmente aí se
instala - ou já se instalou - o fanatismo.

Posteriormente, a difusão continuou e teve início uma férrea
perseguição. Mas perseguição sofrida não é demérito para

uma doutrina, só a perseguição efetuada por ela o é.

Muitos foram martirizados, porém, até aí nada de novo.
Não é agradável, mas faz parte do caminho.

Então veio a grande prova: O Cristianismo recebeu o poder
temporal! Com a atuação de Constantino, o Cristianismo foi
liberado como religião em 313 D.C., e tornou-se religião oficial
do Estado (que nessa época era Império) em 380 D.C., com
Teodósio I.

Aí degringolou tudo! Todos queriam se tornar cristãos, mas
mudando apenas de rótulo, o conteúdo continuava o mesmo.
O nível moral do movimento religioso chamado Cristianismo
decaiu consideravelmente. O Bispo de Roma inicia seu
predomínio sobre os demais bispados e a instauração de uma
doutrina única, porém abrangedora de todas as vertentes pagãs.

A esta situação é que se pode associar o 'começo' referido pela
Yvonne: A parte espiritual da doutrina (que deveria se manter

nos 100%) vai para o volume mínimo enquanto a materialidade
domina.

Esta ocasião é um começo, mas não o começo do Cristianismo
como doutrina. É forçoso fazer-se uma distinção drástica.


Poderíamos chamar a isso de 'cristianismo' (com inicial
minúscula) mas isto não é suficientemente claro. Também
'Catolicismo' não esclarece as coisas, além de ser / parecer
uma ofensa a todos os católicos, e essa não é a intenção,
evidentemente.

Convencionemos então chamá-lo de "Romanismo", pois a
adoção da capital do Império como sede do Cristianismo,
além de facilitar as comunicações, tem o evidente desejo
de criar e manter o monopólio da Doutrina. 

Assim, em 380. o Romanismo começou a "infernizar" a vida no
mundo. Literalmente, porque com o lema "só a Igreja salva",
pintaram o sete.


Aproveitemos mais um pouco o comentário da Yvonne, ela
continua:
"Quando a gente pensa que os homens evoluiriam só mesmo
um tiquinho, acontece uma cisão e surge o Protestantismo e
tudo mais que acontece até os dias de hoje."

Graças a Deus, que surgiu o Protestantismo!
Já pensou se este movimento tivesse sido malfadado como
os demais que o precederam? Ainda hoje os "Romanistas"
estariam vendendo "indulgências", ou seja, depois de gozar
o céu na terra, os ricos teriam passagem garantida para ir
gozar o céu no Céu!

Na verdade, a primeira cisão bem sucedida ocorreu em 1054,
com a separação definitiva da Igreja Ortodoxa, porém sua
diferença marcante com a Católica é a não obediência ao
bispo de Roma, as teologias de ambas são, praticamente, a
mesma.

O protesto de Lutero, em 1517, já tem diferenças teológicas
profundas e, graças a isto, não estamos mais obrigados a
beijar a mão dos padres.

Esse foi o passo inicial para muitas outras cisões, bem
sucedidas no campo material, diga-se, pois a maioria das
dissenssões teológicas não contribuem para o aperfeiçoamento
espiritual.


Prossigamos analisando o comentário. Yvonne diz:

"Amigo, eu sempre comento que Jesus deve estar
aborrecidíssimo com tudo que é feito em Seu nome."


Basicamente discordo desse pensamento, que, aliás, não é
incomum. Penso que se imagina um rei, de cara zangada e
chicote na mão, dizendo para seus ministros:
"Já já eles vão ver o que é bom pra tosse!".

Essa imagem de Jesus já não sensibiliza minha mente.
Imagino Jesus como um professor de crianças ainda não
alfabetizadas, que as observou brincando durante o recreio,
e não vai recomeçar a aula dando lição de trigonometria.
Ele conhece suas limitações e entendesuas peraltices.
Vai orientá-las com carinho de mestre e com método científico.


Sei, de experiência própria, que o método da palmatória não
funciona. Aos cinco anos de idade, numa escola primária
particular, tomei meia dúzia de "bolos" nãs mãos, "pra
aprender". Aprender o quê , não sei. Até agora, 54 anos depois,
ainda não sei porque apanhei. Pra mim, isso não é ensino.

Terminando, Yvonne ainda diz:
"Acredito que, se não tivesse sido catequizada, eu seria atéia,

mas enfim eu gosto de acreditar em Deus [...]"

Eu acredito que não. A crença que temos em Deus não provém
de catequização. A esmagadora maioria dos povos que foram
catequizados, seja por católicos, seja por protestantes, já tinha
sua crença em um, ou mais de um, Deus, o que tentaram
mudar
foi seu nome e os rituais para se dirigir a ele.

Dizem que existem (ou existiram) alguns povos primitivos que
não tinham referência a divindades em sua cultura, estes
tinham,
porém, crença inabalável em espiritualidade.
Pelo que se vê, religiosidade é patrimônio cultural  de toda a
Humanidade,
independente de imposições.

De qualquer modo, não é tão importante que se creia em
algum
Deus, o importante é que Deus ainda acredite na gente.

Abraço do tesco. 

3 comentários:

Érika e Bárbara disse...

Esse blog é realmente de muito conteúdo! Estaremos acessando e participando sempre do sortesco!
Agradecemos sua visita no nosso blog.
Abraço,

Érika e Bárbara.

Obs.: nossos e-mail são:
oliveiramerika@alu.ufc.br
barbara_silva24@hotmail.com

Anônimo disse...

Tesco,o que vale é que tanto você como eu acreditamos em Deus. Brilhante resposta sua.
Beijotescas

Anônimo disse...

Concordo...
cristão ou não, Deus existe!
(se não existisse a gente teria que fazer um, não?) Quem disse isso? (não fui eu, é claro)
hiscla

Tesco, veja que nem sempre discordo de voce.